Tríade da Mulher Atleta

Nos últimos 20 anos o número de mulheres atletas, tem aumentado consideravelmente. A participação feminina cresceu cerca de 600% abrangendo um total de mais de 1,9 milhões de mulheres atletas.

Uma conseqüência inevitável e talvez lamentável desse fenômeno tem sido a ênfase dada às competições e a pressão por parte dos treinadores, patrocinadores e familiares na busca de melhores resultados, acarretando em estresse físico e mental.

Em 1993 o Colégio Americano de Medicina Esportiva publicou a conferência de consenso onde o termo “Tríade da Mulher Atleta” (TMA) foi oficializado para descrever a síndrome que engloba: desordem alimentar, amenorréia e osteoporose na mulher atleta. Individualmente, cada uma dessas patologias pode causar uma significante morbidade. Juntas, elas são sinergicamente prejudicial.

A Tríade geralmente se inicia com um padrão de desordem alimentar, intencional ou não intencional, que pode progredir para desordem menstrual e finalmente para uma redução da densidade óssea, levando a uma conseqüente osteoporose. É também pensado que a disfunção menstrual pode ocorrer com um aumento na intensidade do treino, em combinação com estresse físico e psicológico.

O espectro da desordem alimentar pode ir desde uma restrição calórica até formas graves de anorexia nervosa e bulimia. A anorexia nervosa é caracterizada por uma restrição alimenta externa, distorção da própria imagem corporal, na qual a atleta percebe-se obesa, e amenorréica. A população de atletas mais propensas a desenvolver anorexia são as bailarinas e corredoras de longa distância. Elas têm obsessão por emagrecimento, e são muito cobradas por parte dos treinadores. Aproximadamente 25% das mulheres anoréticas são atletas de elite.

Os sinais clínicos de amenorréia (não menstruação) e a Oligomenorréia (ciclos menstruais irregulares e infreqüentes) estão presentes como distúrbios menstruais na TMA, eles comumente ocorrem em associação à perda de peso e ao treinamento físico intenso. Essas alterações hormonais levam a uma condição hipoestrogênica (baixa concentração de estrógeno) que pode resultar posteriormente em Osteoporose prematura. Com isso os efeitos benéficos dos exercícios podem ser perdidos nas atletas que desenvolvem amenorréia ou mesmo oligomenorréia, nas quais observa-se perda óssea em coluna e ossos longos.

Uma produção adequada de Estrógeno e Progesterona se faz necessária para manter a integridade mineral do osso. Em atletas com Amenorréia ou Oligomenorréia há uma alteração na produção desses hormônios e com isso uma deficiência na integridade mineral óssea. O hormônio Estrógeno atua beneficamente no osso através de vários mecanismos que resultam numa ação anti-reabsortiva. Enquanto o progesterona também atua aumentando a formação óssea, porém, influenciando a atividade Osteoblástica (células responsáveis pela formação de osso novo).

Tratamento: A principal meta no tratamento de atletas com desordem alimentar é restaurar seu equilíbrio hormonal. Idealmente a esportista deve diminuir sua atividade em 10 a 20% e ganhar peso com dietas acima de 2.500 calorias; desta forma sua menstruação pode retornar espontaneamente. Entretando, em fases de competição, nem sempre é possível diminuir a atividade, e algumas atletas, vítimas da desordem alimentar são muito resistentes a ganhar peso, e os ajustes nutricionais podem ser insuficientes para restaurar a ciclicidade menstrual. Nesses casos, faz-se necessário tratamento de reposição hormonal para evitar-se a perda óssea precoce. O uso de altas doses de estrógeno na forma de anticoncepcionais orais tem-se mostrado eficiente para aumentar de maneira significativa a massa óssea em atletas com amenorréia. Alguns autores também indicam a suplementação de Cálcio a todas as atletas com TMA, são recomendados 1.500mg diários.

Observação: Apesar dos achados literários toda suplementação medicamentosa, seja ela hormonal ou não, deve ser realizada após uma avaliação e indicação médica.

Ft. Igor Phillip

Referências:

Pfeifer e Fabrizio. The Female Athlete: Some Gynecologic Considerations. Sports Medicine and Arthroscopy Review, 2002; Lebrum e Rumball. Female Athlete Triad. Sports Medicine and Arthroscopy Review, 2002; Jones et al. Growth and Maturation in Elite Young Female Athletes. Sports Medicine and Arthroscopy Review, 2002; Cohen e Abdalla. Lesões nos Esportes: diagnóstico, prevenção e tratamento. 2005.

Fotos: oliciuslife.com; saude.ig.com.br

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3 Replies to “Tríade da Mulher Atleta”

  1. Mais uma vez parabéns pela matéria!
    O site de vocês está ótimo!

    beijos e sucesso a todos!

    Thaís

  2. Parabéns pela matéria.
    Bom dia
    Eu sou bailarina e ja sofri disto há alguns anos atrás, sempre procurei ler sobre o assunto mas, nunca consegui entender muito bem. Com essa matéria muito bem explicada, consegui enfim entender bem sobre a Tríade.
    Há o meu tratamento foi realmente a base de redução dos exercícios, anticoncepcionais e ingesta de cálcio.

    Parabéns !!!

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