Torcicolo, a dor no pescoço que pode atrapalhar o rendimento

torcicolo

Confira algumas dicas para lidar com o torcicolo

Por mais simples que possa parecer uma leve dor no pescoço ela pode se tornar um tormento para um atleta que a subestime. Algumas vezes até mesmo os fisioterapeutas subjugam este tipo de problema. As dores no pescoço podem ter diversas causas, desde um problema articular ao nervoso. Porém aqui iremos tratar da dor no pescoço de origem muscular, o famoso Torcicolo. A maioria das queixas de torcicolo tem como causa o espasmo de um ou dos músculos: elevador da escápula, trapézio e esternocleidomastóideo. Esquecendo a o que levou este espasmo em si, vamos pensar um pouco nas limitações que um atleta pode ter quando apresenta este quadro.

A primeira grande limitação é a perda do movimento completo da coluna cervical. Provavelmente a rotação para o lado da queixa estará prejudicada. Por mais que o atleta faça um bom aquecimento antes de sua prática, não alcançará a amplitude de movimento completa. Atletas dos esportes aquáticos chegam a perder significativamente seu rendimento normal, já que a rotação cervical é um movimento básico para respirar. O mesmo pode se dizer dos atletas do automobilismo, dos quais é exigido contração constante da musculatura do pescoço o manter alinhado.

torcicolo atleta

Uma segunda limitação é a perde de campo visual. Os esportes mais dinâmicos exigem movimentos rápidos (futebol, vôlei, basquete, handebol, etc). É possível sua prática com dores do pescoço, porém com dificuldade de rodar o pescoço prontamente o atleta precisa mover o corpo para acompanhar uma jogada, a passagem de um companheiro ou a presença de um adversário. Isso prejudica também seu rendimento ou pode ser um fator de risco, quando ele não vê uma ocasião de um choque, por exemplo.

Terceira, e não menos importante limitação, é que as dores musculares do pescoço podem levar a quadros de enxaquecas. Logo, nos esportes que seja necessária concentração e raciocínio (xadrez, tiro, arco-flecha, bilhar, etc) estas dores prejudicam muito.

ciclo dor espasmo dorDICAS DE COMO TRATAR O TORCICOLO

O torcicolo que tratamos aqui é o de origem muscular, sem componentes articulares. Deste modo a principal intervenção a ser feita é cessar o ciclo dor-espasmo-dor. Para isto o fisioterapeuta dispõe de muitos meios: laser, ultrassom, calor, terapias manuais, acupuntura, bandagens, etc. É importante que a escolha da técnica terapêutica seja dominada pelo terapeuta. Para ser mais direto e efetivo, seria interessante focalizar o tratamento justamente sobre os pontos gatilhos nos músculos em questão (clique nas figuras abaixo para ampliar), os quais frequentemente respondem muito bem a calor e liberação miofascial. Peça ao seu atleta para manter a região sempre aquecida, evitando vento e frio direto sobre a região. Uma dica válida é ensina-lo a alongar a musculatura do pescoço e pedir para reproduzir o movimento na hora do banho, com água quente caindo sobre o local.

Para aqueles que trabalham com acupuntura, excluindo casos de desequilíbrios sistêmicos, os seguintes pontos produzem ótimos resultados: abre-se o tratamento com B64 – segue VB34 IG4 e pontos Ashe – fechar o tratamento com ID3.

Então fica a dica: não subestime um torcicolo de seu atleta logo pela manhã! Se ele apresentar episódios repetitivos, talvez seja hora de parar e fazer uma boa avaliação postural ou dar uma checada nas condições de colchão e travesseiro.

Ft. Fernando Cassiolato

Fotos: Necksolutions, Eileen Langsley

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

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