Síndrome da Pedrada

síndrome da pedradaSíndrome da Pedrada (Tennis Leg) é um termo usado desde 1883. Em uma publicação no periódico Lancet, Powell descreveu o termo baseado no caso de um jogador inglês de Críquete que apresentava marcas de hematoma na panturrilha. Ele observou que casos semelhantes ocorriam entre esportistas e que no evento lesivo não tinha ocorrido contato. A descrição dos pacientes era: “como se algo tivesse me acertado, mas quando me virei não havia nada”.

Deste então a Síndrome da Pedrada é usada para caracterizar um evento em que ocorre uma lesão no tríceps sural. É mais comum nas pessoas acima dos 40 anos e o mecanismo de lesão é uma contração com alongamento dos músculos (contração excêntrica). Esse fato acomete mais os corredores e triatletas, mas não é uma exclusiva dos esportistas. Movimentos repentinos do dia-a-dia como correr atrás de um ônibus, subir escadas ou excessos praticados pelos “esportistas de final de semana” podem cursar para esse tipo de lesão.

síndrome da pedradaA anamnese, avaliação clínica e o exame de Ultra-Som são o caminho para ser feito o diagnostico. A imagem ao lado mostra o Ultra-Som de uma lesão severa com presença de hematoma (H) alojado entre entre os planos do gastrocnêmio (G) e sóleo (S), ruptura na secção transversa (A) e longitudinal (B) do músculo gastrocnêmio. O prognóstico desse tipo de lesão depende principalmente de dois fatores: extensão da lesão e se houve cuidados imediatos ou não. A abordagem imediata após a ocorrência da Síndrome da Pedrada melhora o prognóstico da lesão, pois com o uso dos cuidados do protocolo RICE (repouso, gelo , compressão e elevação) limita-se a progressão da hemorragia e edema. Desse modo, as lesões por hipóxia secundária podem ser reduzidas ou mesmo prevenidas. É muito importante que uma avaliação médica seja feita para se compreender a causa da lesão e, principalmente, descartar a ocorrência de Trombose Venosa Profunda.

Após o evento da Síndrome da Pedrada, os atletas normalmente descrevem uma dor aguda na região da panturrilha, ao lado medial, o que dificulta o caminhar. Em alguns casos há também o relato de estalido audível. A maioria das lesões envolve a junção miotendínea  da cabeça medial do gastrocnêmio e a principal causa da lesão ocorrer nessa região é a ativação precoce da porção comparado as outras partes componentes do tríceps sural. O atleta destreinado ou a fadiga muscular podem alterar ainda mais o tempo de ativação das fibras musculares, prejudicando o controle e resposta dos músculos. Toda vez que a força de tensão superar a capacidade das fibras musculares síndrome da pedradade se deformar elasticamente, ocorrerá lesão, sendo essa um estiramento (deformação plástica) ou ruptura (deformação estrutural com perda de continuidade da fibra).

Sem o tratamento adequado, podem surgir complicações posteriores, como: hérnia muscular, miosite ossificante, contraturas, fibrose e comprometimento da função. No ambiente esportivo, uma lesão pregressa é o principal fator de risco para uma nova lesão na mesma área. Deste modo, a melhor forma de evitar uma recidiva ou minimizar tal risco é seguir uma reabilitação rigorosa e retornar a prática esportiva baseado numa avaliação clínica criteriosa. Em uma publicação anterior, relatamos alguns outros aspectos da lesão do gastrocnêmio e alguns pontos importantes da reabilitação, recomendamos a leitura. É preciso lembrar que não basta resolver apenas o quadro doloroso, edema e restabelecer a força. A característica de ativação precoce da porção medial do gastrocnêmio exige, para uma segurança no retorno ao esporte, de um treinamento sensório-motor e de controle muscular bem feitos. Para ser mais específico ainda, tal trabalho sensório motor deve ser realizado com base nos movimentos característicos do esporte praticado pelo atleta lesionado: especificidade é a chave no sucesso dessa reabilitação.

Ft. Fernando Cassiolato

Referências:
Shah JR, Shah BR, Shah AB. Indian J Radiol Imaging 2010.
Kinugasa R et al.J Appl Physiol 2005.
Riemann BL et al. J Strength Cond Res. 2011.

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

2 Replies to “Síndrome da Pedrada”

  1. Demais, tudo que vive neste dia de quinta-feira a tarde. Como algo me atingisse na panturrilha. Pensei, alguém me acertou com alguma coisa, dor horrível. Foi leve a lesão graças a Deus! Não sou atleta, prático musculação e caminhadas longas, aconteceu no dia dia indo para acadêmia. Meu no Marcos tenho 43 anos.

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