Síndrome da Banda Iliotibial – Lesão no corredor

A síndrome da banda iliotibial é a causa mais comum de dor lateral no joelho em corredores, com incidência maior que 12% de todas as lesões por sobrecarga encontradas na corrida. É uma lesão causada pelo atrito repetitivo da banda iliotibial, principalmente pelas fibras posteriores, no epicôndilo lateral do fêmur. Como se trata de uma lesão por sobrecarga, é muito observado em corredores de longa distancia. Estudos mostram que durante o ciclo da corrida, o momento de maior atrito das fibras posteriores da banda iliotibial no epicôndilo lateral do fêmur ocorre logo após o toque do pé no solo. Essa zona de atrito se encontra a aproximadamente 30 graus de flexão do joelho.

Existem vários fatores que podem desencadear a síndrome da banda iliotibial em corredores, como por exemplo, a corrida excessiva em uma mesma direção, quilometragem semanal maior que a normal, corrida em declive (downhill), fraqueza ou inibição de musculatura abdutora de quadril, deformidades como pé plano e diminuição da amplitude de movimento da articulação do tornozelo e discrepância de membros. Um estudo realizado em corredores, pela Universidade de Stanford, encontrou um aumento de ativação da musculatura adutora de quadril durante o ciclo de corrida, o que significa que havia uma diminuição na capacidade dos abdutores do quadril (glúteo médio e mínimo) de controlar, de forma excêntrica, o movimento de adução.

Os sintomas normalmente começam após a corrida. O atleta sente dor em queimação na região lateral do joelho, com ou sem presença de crepitação e leve edema no local da dor. Também pode haver queixa de dor após longos períodos sentado com joelhos em flexão. Em casos mais severos, a dor pode surgir durante uma caminhada ou ao descer escadas. É comum encontrar restrição miofascial, que pode acentuar a dor lateral do joelho, trigger points (pontos de tensão), contraturas musculares, principalmente em vasto lateral, glúteo mínimo, piriforme e bíceps femoral. O atleta com fraqueza de glúteo médio e mínimo tende a compensar seus movimentos com o músculo tensor da fáscia lata e quadrado lombar, por isso é importante realizar testes funcionais (single leg balance, anterior and ipsilateral reach test,etc.) para medir a força de glúteos e assim observar se há um desequilíbrio entre esses grupos musculares.

O principal objetivo na fase inicial do tratamento é diminuir a inflamação no local do atrito entre a banda e o fêmur. Para isso podemos realizar criomassagem e fonoforese e pedir para o corredor diminuir sua carga de treinamento e evitar atividades como andar de bicicleta (para manter o condicionamento físico), pois isso aumenta o atrito entre as duas estruturas. O ideal nessa fase é realizar atividades como a natação, porém, sem fazer muito uso das pernas.

Quando a dor do paciente diminuir, alongamentos podem ser iniciados. Ao apresentar uma fraqueza de glúteo médio e mínimo, o corredor compensa com outros músculos (como citado anteriormente), por isso a importância de trabalhar o alongamento nessa musculatura. A liberação miofascial da banda iliotibial e dos músculos compensatórios também deve ser feita, de preferência antes de iniciar o fortalecimento muscular.

Os principais músculos a serem trabalhados nos exercícios de fortalecimento para corredores com síndrome da banda iliotibial são os abdutores de quadril (principalmente os glúteos médio e mínimo), dando ênfase para a fase excêntrica desses músculos. Porém, toda a musculatura de quadril e joelho deve ser trabalhada. Exercícios de propriocepção e treinos funcionais de corrida também devem ser realizados durante a reabilitação, até que o atleta possa retornar gradualmente ao esporte. Para tanto, é necessário que o corredor esteja realizando os exercícios de força e os funcionais de corrida sem dor. É recomendado que o atleta volte a correr em dias alternados, realizando pequenos sprints e evitando as corridas em declives (downhill) nas primeiras semanas. Ele pode iniciar os treinos de corrida em superfícies que ofereçam menos impacto, como a esteira, pista de borracha, gramado, para em seguida evoluir para corridas de rua. Além disso, a freqüência e a distância percorrida devem ser aumentadas somente a partir da terceira ou quarta semana após o retorno ao esporte.

Esse retorno a corrida depende da cronicidade do caso e das limitações do atleta devido à lesão, porém a recuperação completa demora normalmente seis semanas para ocorrer.

Ft. Ana Carolina Villa-Lobos

Referências
Fredericson M, Wolf C. Sports Med. 2005;35(5):451-9
Cohen, M. Lesões nos Esportes

Sobre o autor spallafisioterapia

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