Síndrome compartimental

síndrome compartimentalA síndrome compartimental consiste em um importante aumento de pressão no interior de uma loja anatômica delimitada pela fáscia que aloja um músculo ou um grupo muscular, causando diminuição de fluxo sanguíneo local e isquemia dos tecidos atingidos.

A síndrome é mais comum nos membros inferiores, onde o aumento de pressão intracompartimental pode ocorrer de maneira aguda (caráter emergencial), devido a fraturas, imobilizações inadequadas, traumas e hemorragias; ou de maneira crônica, esta mais comum no meio esportivo e conhecida entre corredores.

A síndrome compartimental crônica, também conhecida como síndrome do compartimento anterior (pois, frequentemente, envolve o músculo tibial anterior), é causada por esforço físico excessivo associado a uma falha na reabsorção de metabólitos musculares, que se acumulam na região e ocasionam um aumento súbito da pressão intracompartimental acima de 25-30 mmHg (em estado de normalidade, pode variar de 8-12 mmHg).

síndrome compartimentalOs sinais e sintomas clássicos são: dor durante ou após a atividade física, que alivia poucas horas após o repouso; parestesia; hipoestesia; palidez local; ausência ou diminuição de pulso local; dor à palpação. O diagnóstico normalmente é clínico, através de um cuidadoso exame físico, mas pode contar com o auxílio de técnicas específicas para o monitoramento da pressão intercompartimental.

O tratamento conservador da síndrome compartimental crônica consiste, de modo geral, em cessar a atividade física que está causando o estresse no tecido envolvido. Além do repouso, outras medidas podem ser tomadas, como: elevação do membro, exercícios metabólicos de membro inferior e medicação analgésica e antinflamatória.

síndrome compartimentalEm casos graves e/ou agudos, o tratamento cirúrgico é indicado através da fasciotomia, uma liberação que é feita na fáscia do compartimento afetado através de um corte longitudinal, com o intuito de aliviar a pressão local. Nestes casos, a abordagem fisioterapêutica se dá através da prevenção de complicações pós-operatórias imediatas (mobilização precoce do membro, facilitação do retorno venoso, orientação de marcha com muletas e evolução conforme o suportado pelo paciente).

As limitações são poucas após esse tipo de procedimento, progredindo-se de acordo com o tempo de cicatrização do tecido; o retorno ao esporte pode ocorrer dentro de quatro meses. No entanto, a ação do fisioterapeuta vai muito além da recuperação imediata e orientações pós-cirúrgicas em casos como este. É de extrema importância a identificação de fatores de risco, como necessidade de correções biomecânicas que possam causar a sobrecarga do compartimento anterior, evitando assim, futuras recidivas.

 

Ft. Thaís Bortolini Bueno

Sobre o autor Thaís Bortolini Bueno

Thaís Bortolini Bueno escreveu 8 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela UFSCar, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/UNIFESP. Estuda Fisioterapia Esportiva com ênfase em Desempenho e Prevenção. Atua nas cidades de São Paulo e Jundiaí com atletas de corrida de rua, tênis e vôlei de praia.

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