Ronaldo Fenômeno – Evolução Física

Na sala de imprensa do Sport Club Corinthians Paulista, o futebol mundial se despediu daquele que foi digno de carregar junto do nome FENÔMENO. Acompanhe o slideshow seguinte e compare a evolução física do atacante.

Ronaldo Luiz Nazário de Lima, nascido em 22 de setembro de 1976, deu seu início no mundo do futebol no Flamengo (Rio de Janeiro – Brasil), mas por não ter dinheiro para pagar as conduções passou treinar no São Cristóvão (Rio de Janeiro – Brasil).

Aos 16 anos e franzino, mas muito ágil, Ronaldo fez sua estréia no futebol profissional pelo Cruzeiro (Minas Gerais – Brasil) e tanto destaque no clube mineiro lhe rendeu uma transação milionária para o PSV Eindhoven (Holanda), apenas um ano antes de ser Campeão Mundial com a Seleção Brasileira, em 1994 nos Estados Unidos.

No PSV iniciaram os trabalhos para aprimoramento de sua forma física.  O crescimento da massa muscular pode ser rápido, mas a resistência dos tendões e massa óssea crescem em um ritmo muito menos acelerado.

Os primeiro problemas físicos de Ronaldo começaram a se manifestar quando atuava na Holanda. Sua primeira cirurgia foi realizada em 1995, após uma ressonância magnética constatar inflamações nos joelhos e calcificação no direito, joelho o qual passou por procedimento de limpeza na cartilagem. A condição de reserva, imposta pelo então técnico do PVS, Dick Advocaat, fizeram com que Ronaldo acabasse transferido para o Barcelona (Espanha). Suas atuações lhe renderam o título da FIFA de Melhor Jogador do Mundo e o apelido El Fenómeno.

Em 1997, tranferiu-se para a Internazionale (Itália). A temporada 98/99 começou com a sua convulsão pouco antes da final da Copa do Mundo de 1998, fato que ainda permanece um mistério a real causa. Atuando pela Inter, Ronaldo passou a frequentar mais vezes o departamento médico e uma lesão no joelho direito o fez para por cinco meses. No retorno, em seu primeiro lance, uma arrancada característica, sofreu uma ruptura do tendão patelar, sendo necessária uma cirurgia para o reparo e reabilitação de oito meses, que na verdade se transformaram em 15 meses. Na temporada 2001/2002 Ronaldo era utilizado ocasionalmente pelo técnico. Porém, após seu protagonismo comandando o ataque da Seleção Brasileira Campeã Mundial em 2002 no Japão, forçou uma saída da equipe italiana e foi parar no Real Madrid (Espanha).

Na temporada de 2006/2007, ainda no Real Madrid, Ronaldo já era constantemente criticado pelo seu peso e forma física. Ele acabou se transferindo para o Milan (Itália) e foi a estrutura médica do clube que lhe permitiu descobrir que sofria de hipotireoidismo, razão de seu ganho de peso excessivo, até então inexplicada. Ronaldo tratou o problema com reposição hormonal e iniciou a temporada 2007/2008 cinco quilos e meio mais magro.

Em fevereiro de 2008, após substituir Gilardino no segundo tempo, em sua primeira participação no jogo, acabou se lesionando na hora de um salto, saindo de campo chorando, relembrando o episódio da primeira lesão no joelho, em 2000. Ruptura do tendão patelar novamente, mas desta vez no joelho esquerdo. A temporada 2007/2008 terminou com ele parado e desligado do Milan.

Ronaldo voltou ao Brasil e passou a treinar e recuperar-se da cirurgia no Flamengo. Após fechar contrato com o Corinthians (São Paulo – Brasil), dedicou os primeiros dois meses a trabalhos físicos, para que pudesse ter condições de retomar o bom futebol. No Campeonato Paulista de 2009, mesmo muito acima do seu peso ideal, marcou oito gols nas dez partidas que disputou, e novamente chamou a atenção internacional por suas atuações destacadas. Durante o Campeonato Brasileiro do mesmo ano, sofreu uma fratura na mão esquerda e teve de realizar nova cirurgia. Aproveitando a ocasião, também passou por uma cirurgia de lipoaspiração. No dia 14 de fevereiro de 2011, aos 34 anos, Ronaldo decide encerrar sua carreira. Apontando a condição física como fator preponderante para tal decisão, ele afirma: “Perdi para o meu corpo”; fato semelhante ocorrido com outro ídolo do esporte brasileiro, Gustavo Kuerten.

Durante muitos anos de sua carreira, Ronaldo sempre esteve acompanhado de um fisioterapeuta pessoal. Tanto trabalho reabilitação e preventivo fizeram com que ele tenha uma visão diferenciada em relação à Medicina Esportiva, afirmando: “Talvez, se minha história voltasse a ocorrer, não sei, em quinze, vinte anos, a medicina terá avançado muito mais e aí os meus problemas que no momento foram gravíssimos, no momento futuro poderia ser resolvido mais rápido e mais fácil”.

Sem dúvida, o Fenômeno é um dos maiores exemplos de superação e garra, se não o maior, no ambiente esportivo. Nem mesmo tantas lesões podem apagar uma história brilhante e vitoriosa como a sua. Apesar de triste os acontecimentos, Ronaldo contribuiu para o desenvolvimento da fisioterapia esportiva, possibilitando hoje novas idéias para que alguns tratamentos possam ser feitos com mais conhecimento e propriedade. Mas, retomamos a pergunta feita em uma matéria anterior: Esporte de alto rendimento é saúde? Não sabemos, mas com ou sem lesões ele continuará #prasemprefenomeno!

Ft. Fernando Cassiolato

Referências:
André Fontenelle/Valmir Storti (Rev Placar, n1257, 2003)

Fotos:
Eugênio Sávio/Placar, Clive Mason/Allsport/Getty Images, Shaun Botterill/Allsport/Getty Images, Koichi Kamoshida/Getty Images, GES/Augenklick, Helena Arnoni

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

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