Principais Lesões no Tênis

lesão no tenisO tênis é um esporte que envolve uma grande variação de movimentos, coordenação, agilidade, potência muscular e condicionamento físico.

Nos membros superiores a maioria das lesões é decorrente de uso excessivo, ou seja são lesões por sobrecarga. Mas existem outras causas que podem ser atribuídas a essas lesões, como por exemplo, a técnica inadequada de treinamento, tipo de empunhadura na raquete, tensão utilizada nas cordas (vibração), desequilíbrio muscular e elevada força de preensão manual.

Sua prática exige muitas jogadas, e para que essas jogadas sejam realizadas de maneira adequada durante um jogo ou treino é importante o tipo de empunhadura usada regularmente. O tipo de empunhadura que pode gerar um maior número de lesões é o tipo Western, que costuma acarretar maiores danos ao compartimento ulnar do punho.

O backhand, movimento realizado geralmente com as duas mãos para dar maior potência ao golpe, também é responsável por um grande número de lesões de punho do membro não dominante do atleta e de lesões no cotovelo se a técnica for realizada de maneira inadequada.

tênisA tensão do encordoamento também pode acarretar um certo número de lesões. Geralmente a tensão recomendada é de 52 a 65 libras (ideal não usar tensões acima de 58 libras), e podemos afirmar que tensões elevadas podem ser fatores importantes no aumento da transmissão da vibração da raquete, principalmente para o cotovelo.

O uso correto das bolas de tênis também é importante, pois quando velhas, o tenista deve gerar mais força para desempenhar o mesmo tipo de jogo, predispondo a lesões dos membros superiores.

Os tipos de quadra podem influenciar no tipo de lesão. As quadras rápidas geralmente são de material sintético ou cimento. Para aqueles que jogam regularmente em quadras rápidas, as lesões de membros inferiores são mais frequentes. Já para aqueles que jogam geralmente em quadras lentas, como o saibro, as lesões mais frequentes ocorrem nos membros superiores, principalmente em ombro, cotovelo e coluna lombar. Isso acontece pois com o jogo um pouco mais lento, a força imposta no membro superior deve ser maior para gerar velocidade e potência aos golpes.

A epicondilite lateral, também conhecida como cotovelo do tenista, é a mais conhecida lesão entre os tenistas. Trata-se de uma inflamação nos tendões dos extensores de punho, que ocorre na maior parte das vezes em decorrência do movimento errado de backhand. Se não tratada corretamente, essa inflamação pode causar uma desestruturação nas fibras internas do tendão, o que pode levar a um processo degenerativo e consequentemente a fissuras das fibras desse tendão. Essas fissuras podem causar inicialmente dores leves, porém com o tempo, a falta de tratamento e a continuidade nos treinos e jogos, a degeneração aumenta e pode levar a rupturas tendinosas.

epicondilite lateral

O tratamento vai desde o uso de anti-inflamatórios, fisioterapia até a cirurgia, caso a lesão seja muito crônica e o tendão esteja rompido.

Hoje em dia se discute muito o uso de PRP (Plasma Rico em Plaquetas) para tratar esses tipos de lesão. Tem- se observado, que em casos de ruptuta do tendão, a injeção do plasma rico em plaquetas pode fazer com que a ruptura seja cicatrizada, sem a necessidade de cirurgia.

As lesões musculares da panturrilha também são muito frequentes e podem atrapalhar muito o tenista. Essa lesão geralmente ocorre quando o tenista vai buscar uma bola curta ou quando vai mudar bruscamente de direção. A lesão ocorre com mais frequência no ventre muscular, mas também pode acometer o tendão ou sua junção miotendínea.

lesão muscular panturrilha

Normalmente as lesões musculares afastam o tenista do esporte por mais de 4 semanas e se não for tratada corretamente, ao retornar ao esporte o atleta pode sofrer uma nova lesão em cima da antiga, piorando os sintomas e retardando seu retorno à prática esportiva.

Outra lesão bastante comum é a tendinopatia do ombro. Essa é mais comum em tenistas acima de 40 anos, devido à degeneração do tendão, e em tenistas mais jovens em decorrência da sobrecarga. Normalmente elas acometem o tendão do manguito rotador, estrutura essa muito importante para a estabilidade da articulação do ombro. As tendinopatias podem ocorrer com ou sem ruptura do tendão, por isso a importância de procurar um especialista assim que surgirem os sintomas.

A  fisioterapia atua não só no tratamento dessas lesões, mas também faz um trabalho muito importante de prevenção. É necessário que o atleta, seja ele amador ou profissional, faça um trabalho preventivo em paralelo ao treino para fortalecer a musculatura estabilizadora do ombro e tronco, musculatura de punho e cotovelo e  dos membros inferiores. Além disso, o atleta deve fazer alguns treinos para correção de técnica e treinos sensório motor.

O fisioterapeuta, como profissional da saúde, deve auxiliar os desportistas por meio da prevenção e reabilitação das lesões, visando à melhoria e o desempenho do atleta, corrigindo desequilíbrios musculares e erros biomecânicos. E junto com o treinador corrigir erros de técnica que possam prejudicar o atleta posteriormente com o surgimento de lesões que o afastem do esporte.

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Ft. Ana Carolina Villa-Lobos

Sobre o autor Ana Carolina Villa-Lobos

Ana Carolina Villa-Lobos escreveu 12 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pelo UniCeub em Brasília, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Supervisora do ambulatório de coluna do CETE. Trabalha com Fisioterapia Esportiva, Terapia Manual e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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