Os superatletas chegam a Londres

Saem de cena os atletas e entram aqueles que poderiam ser considerados superatletas. Homens e mulheres que além da dificuldade imposta por uma competição esportiva, têm ainda que superar os limites do próprio corpo. Começa assim, hoje (29/08/2012), os Jogos Paraolímpicos de Londres 2012, a 14ª edição desde 1960 em Roma, na Itália. Ao todo serão 28 modalidades disputadas por atletas com deficiências físicas (mobilidade, amputações, cegueira ou paralisia cerebral), além de deficientes mentais.

paraolimpiadas01O esporte paraolímpico tem ligação direta com a fisioterapia, pois ambos tiveram seu início em circunstâncias parecidas. Em 1939, o neurologista alemão de origem judia Ludwig Guttmann fugiu do regime nazista e se estabeleceu na Inglaterra, onde passou a trabalhar para a Universidade de Oxford. Em 1943, Guttmann passou a chefiar um serviço com a missão de reabilitar soldados feridos na Segunda Guerra Mundial. Ele desenvolveu uma nova filosofia de tratamento para os seus pacientes que unia trabalho e esporte. Entre as modalidades usadas no tratamento estavam o basquete, tiro com arco, dardos e bilhar. Com o sucesso deste modelo, Guttmann promoveu em 28 de julho de 1948 o primeiro evento esportivo exclusivo para portadores de deficiência. A data não foi escolhida por acaso, já que no mesmo dia tinham início os Jogos Olímpicos de Londres. O crescimento dos eventos continuou até que  em 1960 a competição passou a ser oficial, sempre logo após os Jogos Olímpicos. A fisioterapia, como nova ciência e área da saúde, também teve seu início na Europa, justamente o período pós guerra, buscando a princípio a reabilitação dos combatentes de guerra.

paraolimpiadas03Talvez o maior símbolo destes superatletas seja o corredor sul-africano Oscar Pistorius, conhecido como Blade Runner (corredor lâmina). Pistorius tem amputação transtibial bilateral e corre com auxílio de próteses finas feitas de fibra de carbono. Ele é um ícone pois é o primeiro e único atleta olímpico e paraolímpico capaz de competir de maneira simultânea e em igualdade de possibilidades com atletas não deficientes. Após uma briga judicial em 2008, o atleta conseguiu provar que seu equipamento não lhe conferia vantagem e nem oferecia um risco aos demais adversários, mesmo assim não conseguiu participar das Olimpíadas de Pequim em 2008 por não atingir o índice. Já nas Olimpíadas de Londres deste ano, Pistorius se tornou uma lenda ao avançar para as semifinais dos 400m rasos individual e também disputar a final do revezamento 4x400m pela equipe da África do Sul. Um fato interessante é que o uso das próteses não lhe conferem uma boa largada, logo ele nunca está na posição de início no revezamento. Para se ter uma ideia de sua capacidade, sua melhor marca nos 100m é de 10”9 e de 45”07 nos 400m (Usain Bolt é o recordista dos 100m com 9”58 e Michael Jonhson dos 400m com 43”18).

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O fisioterapeuta é presença fundamental para qualquer tipo de atleta com deficiência e o trabalho em conjunto com a equipe técnica é imprescindível. Mais do que reabilitar possíveis lesões, inerentes a qualquer prática esportiva em nível competitivo, o fisioterapeuta é o profissional mais indicado para conduzir avaliações biomecânicas e realizar as devidas adaptações para que os atletas possam desempenhar seu máximo nos esportes e com segurança.

Conversamos com a fisioterapeuta e mestre Vanessa Vargas, da UNICAMP. Ela desenvolve um trabalho de análise biomecânica e já estudou também a reabilitação de membros superiores em lesados medulares, muitos de seus voluntários são atletas. Vanessa dá algumas dicas de atletas para ficarmos de olho neste Jogos Paraolímpicos:

“O Brasil vai competir em quase todas as modalidades, apenas ficando de fora das provas de tiro com arco e rúgbi. Acredito que o temos grande chance de medalhas nesses esportes:

paraolimpiadas06– Natação: com destaques para Daniel Dias (chances reais de medalha e briga por recorde paraolímpico) e André Brasil (compete por recorde).

– Futebol de 5: modalidade para cegos na qual o Brasil é bicampeão.

– Atletismo: destaque para Terezinha Guilhermina (cega), que deve competir por recorde; Lucas Prado (cego), também deve competir por recorde, e Shirlene Coelho (paralisia cerebral) no lançamento de dardo.

– Judô: destaque para Antônio Tenório (cego), que é tetracampeão.”

Vocês acompanharam cada medalha conquistada e algumas das lesões comentadas por nós no Facebook, durante as Olimpíadas. Ao longo dessas Paraolimpíadas continuamos no mesmo ritmo. Acesse nossa página no Facebook, curta a Equipe Spalla e comente as postagens.

Ft. Fernando Cassiolato

Fotos: Paralympic Movement, Wikipedia, Getty Images

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

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