Recuperação ou retorno precoce?

Na última semana pudemos acompanhar a volta aos gramados do jogador Paulo Henrique Ganso, apenas 19 dias após uma cirurgia no joelho direito. O meia foi submetido a uma artroscopia no joelho para remoção de uma sinovite, inflamação no tecido sinovial, que recobre a articulação. Após a cirurgia de reconstrução do LCA (ligamento cruzado anterior) há 9 meses, o jogador desenvolveu, durante sua recuperação, uma reação inflamatória caracterizada por dor, edema, aumento da temperatura local, limitação de movimentos (extensão e flexão máximas limitadas), dificuldades para caminhar e correr. Na maioria dos casos, a sinovite pode ser tratada de maneira conservadora através de fisioterapia, repouso e medicamentos; mas algumas vezes há necessidade do tratamento cirúrgico para a remoção do excesso de tecido sinovial.

Como em qualquer processo cirúrgico, a artroscopia tem conseqüências que não podem ser deixadas de lado durante a recuperação do paciente. Efeitos colaterais da anestesia não são raros e podem causar reações adversas, como: dores de cabeça, parestesia em membros inferiores e, em casos mais graves, distúrbios respiratórios. O tempo de cirurgia também pode influenciar na recuperação, pois a quantidade de perda de sangue e o tempo de garroteamento podem prejudicar a saúde dos tecidos envolvidos. O tempo de imobilização (quando necessária) é outro fator determinante na recuperação da amplitude de movimento da articulação: quanto mais prolongada a imobilização, maior é a rigidez articular (é válido lembrar que, no caso do jogador Paulo Henrique Ganso, é preconizada a mobilização precoce dos tecidos já que a cirurgia teve como objetivo liberar a articulação).

Além dos fatores citados acima, dor e edema pós-cirúrgicos são uns dos mais importantes a interferir no resultado e no tempo de recuperação. Ambos, quando presentes, tem um importante papel na inibição muscular. No caso de Ganso, essa combinação de fatores pode ser fatal: o joelho do atleta, recém-recuperado da reconstrução do LCA, tem enormes exigências musculares para manter a proteção do enxerto ligamentar. Caso a recuperação não seja cuidadosa, coloca-se em risco a integridade do joelho do jogador.

Há quem diga que o retorno de Paulo Henrique Ganso aos gramados foi precoce, pois a Literatura preconiza um mínimo de 12 semanas (3 meses) de tratamento fisioterapêutico para trabalhar a mobilidade dos tecidos, diminuição de dor e edema, e principalmente ativação e fortalecimento muscular.

No entanto, protocolos acelerados de reabilitação recentemente desenvolvidos por profissionais que trabalham no âmbito esportivo permitem uma volta mais rápida desses atletas. A grande discussão em questão é o quanto pode ser prematuro esse retorno do atleta do Santos F.C. com menos de três semanas de cirurgia. Com certeza, as condições musculares pré-operatórias do jogador eram excelentes, e a Fisioterapia pós-cirúrgica foi intensiva, contudo não podemos deixar de ressaltar os possíveis fatores de risco em casos como este.

Ft. Thaís Bortolini Bueno

Imagens: UOL Esportes

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