Luxação glenoumeral e vitória brasileira

Luxação GlenoumeralNa madrugada do último domingo (04/08/13), em disputa do cinturão dos pesos pena pelo UFC 163, nosso brasileiro José Aldo teve sua vitória ao finalizar a luta no quarto round com uma combinação de queda e ground and pound, após uma luxação do ombro direito do sul coreano Jung Chan-Sung. Entenda porquê e como o Zumbi Coreano teve seu ombro luxado.

A luxação glenoumeral é uma lesão muito comum, principalmente em esportes que envolvam atividades dos membros superiores e contato direto (como o MMA, por exemplo) e tal problema ocorre devido a conformação óssea e muscular da articulação do ombro, como descrito em nossa matéria anterior sobre mobilidade e estabilidade.

Para promover uma estabilidade à articulação glenoumeral existem os mecanismos ativos e passivos, dentre os passivos destacam-se:

– Mecanismos ósseos;
– Lábio glenoidal;
– Cápsula glenoumeral;
– Ligamentos glenoumerais.

E dentre os mecanismos ativos, destacam-se:

– Compressão articular;
– Controle Neuromuscular.

Quando um desses mecanismos é comprometido ou está deficitário há uma sobrecarga nos demais e, consequentemente, uma instabilidade instalada. Tal lesão poderá ser classificada de acordo a sua direção (anterior, inferior, posterior ou multidirecional) ou de acordo com o mecanismo causador: instabilidade mecânica (quando está acometido algum dos mecanismos passivos) ou funcional (quando o acometimento é algum mecanismo ativo).

A lesão do sul coreano foi ocasionada na luta quando ele, ao tentar acertar José Aldo com um direto de Direita, acaba passando no “vazio” e recebendo um contra golpe na região posterior do seu ombro direito (veja o video abaixo). Com a força exercida na região posterior há um deslocamento anterior da cabeça do úmero que consequentemente gerou uma luxação anterior glenoumeral. O Zumbi ainda tentou recolocar seu ombro no lugar, mas não teve sucesso e acabou perdendo a luta para o nosso brasileiro José Aldo.

Luxação Glenoumeral

O deslocamento anterior do úmero é o mais comum e ocorre em razão da cavidade glenóide ser relativamente pequena e rasa, a cápsula mais frouxa, principalmente em indivíduos jovens, atletas e em mulheres. A instabilidade anterior pode ser classificada ainda em luxação traumática, atraumática e subluxação (quando o ombro “sai do lugar” e volta sozinho, sem precisar de nenhum auxílio externo). Como sinais e sintomas durante um caso de luxação glenoumeral observa-se um contorno achatado do músculo deltóide, incapacidade de movimentar o braço e dor intensa. Alguns pacientes relatam que sentem uma sensação de falha no braço, ou ainda que o braço morreu, essa sensação é muito comum em casos agudos de luxação ou subluxação e é denominada de dead arm, tal sinal é referido como uma dor forte súbita acompanhada de perda de força momentânea do braço acometido.

Luxação Glenoumeral

Nos casos de luxações, principalmente as de origem traumáticas, o ideal é que seja realizada uma avaliação médica antes de tentar qualquer tipo de redução. Há extrema necessidade de descartar qualquer possibilidade de fraturas antes de colocar o “ombro no lugar”.

O Sul coreano Jung Chan-Sung já iniciou o tratamento logo após o final da luta com crioterapia e uso de tipóia, para imobilizar o ombro e assim aliviar a dor. Nós da Spalla Fisioterapia torcemos pela recuperação e pelo retorno do Zumbi Coreano ao octógono.

Ft. Igor Phillip

Referências:
Kuhn J. E. Sports Med Arthrosc Rev Vol 14, N 4,2006.
Andrews. Reabilitação Física do Atleta. 3ed. 2005.

Sobre o autor Igor Phillip

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