Lesões no Rugby

Tackle

O Rugby é um esporte que surgiu na Inglaterra em 1823, muito difundido atualmente entre praticantes de esporte coletivo. Disputado em mais de 120 países, é um esporte que vem crescendo em número de praticantes em todo o mundo, sobretudo em países de colonização inglesa. O esporte é praticado tradicionalmente em campo de grama, de 144 metros de comprimento por 70 metros de largura, com uma bola oval de couro. A modalidade mais tradicional é o 15-a-side, nome referente ao número de jogadores de cada equipe. Entre outras modalidades, o Rugby 7 é a que mais vem se destacando devido a dinâmica e velocidade do esporte, com apenas sete jogadores em cada equipe, ganhando importância  suficiente para se tornar uma modalidade olímpica, que será disputada nas Olimpíadas de 2016.

O Rugby é considerado um esporte de intenso contato físico entre os praticantes, o que o torna um dos esportes de maior incidência de lesões traumáticas por impacto, colisão em alta velocidade e contato corporal, fatores esses inerentes ao esporte. No entanto, outros fatores de risco extrínsecos, não relacionados ao trauma direto, podem ser citados: calçado esportivo, superfície, mudanças abruptas no treinamento e biomecânica do gesto esportivo. Além disso, fatores intrínsecos, como idade, sexo, histórico de lesões, flexibilidade e força muscular também podem influenciar na ocorrência de lesões.

Ruck

As lesões mais comuns no Rugby são provenientes de trauma direto através do choque com o adversário, cuasando escoriações, concussões, entorses e lesões musculares em sua grande maioria. Os locais mais acometidos são joelho, coxa, cabeça, face e pescoço em primeiro lugar, seguidos por tornozelo, ombro, coluna lombar e mão.

O peculiar contato físico entre os jogadores, somado a potência e força do gesto esportivo do Rugby, contribui para a ocorrência de determinados tipos de lesões. Por exemplo, durante o tackle (gesto ofensivo em que o jogador tenta impedir a movimentação do adversário), o jogador que pratica o gesto pode sofrer lesões na coluna cervical, enquanto que o jogador que é derrubado tem mais chances de sofrer lesões complexas de membros inferiores, como lesões ligamentares de joelho. Durante o scrum (formação ordenada em que os jogadores da mesma equipe se apóiam, usando pescoço e ombro), a chance de lesões na coluna cervical, como estiramento do plexo braquial. Durante o ruck (formação desordenada entre jogadores de ambas as equipes, que não podem utilizar as mãos para disputar a posse de bola), as lesões são mais diversificadas, ocorrendo com mais frequência encoriações e concussões.

Scrum
As lesões no Rugby também pode ser caracterizadas de acordo com a posição em que o atleta joga. Os pilares são os jogadores de primeira linha com grande massa muscular, garantem a bola para a equipe, e para isso sofrem contato físico direto e escoriações frequentes. O hooker é o jogador que comanda a primeira linha e deve ter muita força nos membros superiores para manter a posse de bola, por isso sofre lesões durante o scrum e o ruck. Os jogadores de segunda linha são fortes e altos, e são erguidos para tomar a posse de bola (line out), podendo sofrer traumas pela queda. Os asas e o oitavo são os jogadores da linha de ataque, normalmente com mais agilidade e maior movimentação no campo, recebendo tackles constantemente e sofrendo lesões por trauma direto, principalmente em membros inferiores.

Apesar de toda a força física envolvida no Rugby e lesões aparentemente “inevitáveis”, é válido lembrar que se a coordenação do sistema sensório-motor e os reflexos do atleta forem eficientes, parte dessas lesões podem ser evitadas. Assim, faz-se necessário o treino preventivo neste esporte para diminuir a incidência de lesões, sejam elas por trauma direto ou por sobrecarga.

Ft. Thaís Bortolini Bueno

Referências:
Bathgate A et al, Br J Sports Med 2002;36:265–269
Garraway WM, Br J Sports Med 2000;34:348–351

Fotos: Understanding Rugby, ESPN

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