Lesões no Remo

O remo se tornou um esporte popular na Europa desde o século XVII. Ele exige uma boa condição cardiorrespiratória, coordenação de diferentes grupos musculares e resistência. As provas do remo são ao todo: oito masculinas (Skiff simples, Skiff duplo, Skiff duplo leve, Skiff quádruplo, Dois sem timoneiro, Quatro sem timoneiro, Quatro sem timoneiro leve e Oito com timoneiro) e seis femininas (Skiff simples, Skiff duplo, Skiff duplo leve, Dois sem timoneiro, Quatro sem timoneiro e Oito com timoneiro).

A biomecânica do gesto esportivo do remo envolve movimentos repetitivos de flexão e extensão de joelho, quadril, coluna, punho, cotovelo e ombro, sendo o joelho e a coluna as articulações mais acometidas. A maioria das lesões são crônicas, sendo as lesões agudas e traumáticas menos freqüentes. Além disso, na sua maior parte as lesões se dão por sobrecarga, erros de treinamento ou equipamentos inadequados.

  • A tendinopatia patelar e de extensores de punho e cotovelo são as mais freqüentes. No joelho ainda podemos correlacionar outras lesões por sobrecarga em outras estruturas, uma vez que o gesto exige amplitudes de movimento extremas, associadas à força muscular.

  • A coluna lombar é um dos segmentos mais acometidos por lesões neste esporte. A magnitude de forças que incide sobre ela é alta, sendo que em 70% do ciclo de remada a coluna permanece em flexão. Assim, combinação da flexão com forças compressivas tem sido identificada como o principal mecanismo de lesão de estruturas da coluna. A fraqueza muscular, falta de ativação e/ou fadiga muscular podem ser considerados fatores predisponentes também as lesões na coluna.
  • Pode ocorrer ainda compressão nervosa na região do túnel do carpo (punho), pela forma de segurar o remo, ou mesmo na região da tuberosidade isquiática (osso do quadril em contato com o banco) pela posição sentada.
  • Uma lesão mais específica que é observada nestes atletas são as fraturas por stress nas costelas. Pesquisadores têm proposto que a sobrecarga do músculo serrátil anterior leva a forças de tração, normalmente na região posterior e lateral da 5ª a 9 ª costelas.
  • Além destas, também se podem observar lesões dermatológicas na palma das mãos que são comuns pelo atrito com o remo.

De uma forma geral, ao tratar um atleta praticante de remo, deve-se conhecer a especificidade do seu treinamento e as provas que o mesmo participa, tentando correlacionar a sua biomecânica a predisposição de lesões.  Deste modo, o fisioterapeuta será capaz de direcionar a sua reabilitação e poderá ainda trabalhar a prevenção de possíveis novos eventos lesivos.

Ft. Gabriela Borin

Referências:
Fotos: London Rowing Club, Rachel Fairchild
www.schuitema.co.za/blog/?tag=empowered-teams
www.physiomotive.com/why-us/rowing/rowing-articles/30-low-back-pain-in-rowers.html
www.cbr-remo.com.br
www.sportsinjurybulletin.com
Reid DA, McNair PJ. Br J Sports Med. 2000 Oct;34(5):321-2

Sobre o autor Gabriela Borin

Gabriela Borin escreveu 18 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela USP, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Mestranda em Ciências pela FM/USP. Estuda Fisioterapia Esportiva e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

One Reply to “Lesões no Remo”

Queremos seu comentário...