Lesões no Manguito Rotator

As lesões do manguito rotador são a causa mais frequente de dor no ombro. Tendinopatias e rupturas parciais são as lesões mais comumente associadas a esse quadro, principalmente no ombro de atletas arremessadores (volei, handebol, natação, arremesso de peso, dardo e disco…). No entanto, podem ocorrer em casos de trauma direto sobre o ombro ou em indivíduos sedentários acima dos 40 anos que realizam movimentos do ombro acima da cabeça.

O manguito rotador é um complexo que envolve quatro músculos (supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor), desempenhando funções fundamentais na articulação do ombro, tais como: estabilização dinâmica, coaptação da articulação glenoumeral e potencialização das forças de rotação. O manguito funciona como uma convergência de tendões ao redor da cabeça do úmero; esses tendões mantem contato com a superfície óssea da articulação (face articular) e com a bursa subacromial (face bursal). A face articular é frequentemente lesada por movimentos repetitivos nos extremos das amplitudes de rotação do ombro, quando os tendões sofrem uma torção e diminuição da vascularização, atritando com a superfície óssea. Já a face bursal é lesada pelos movimentos acima da cabeça nos casos em que o espaço subacromial é diminuido por alguma razão (formato ganchoso do acrômio, artrose, inflamação da bursa/bursite), aumentando o atrito dos tendões com a bursa.

Além dos mecanismos de lesão descritos, outros fatores devem ser considerados como risco para as lesões do manguito, dentre eles a vascularização dos tendões, que é diminuida na face articular. Em relação à disposição das fibras de colágeno, alguns estudam mostram que seu arranjo na face articular  é menos espesso e relativamente desordenado, se comparado a face bursal. Todos esses fatores favorecem a maior ocorrência de lesões do tipo degenerativas na face articular, e lesões do tipo inflamatórias na face bursal.

A tendinopatia do manguito rotador pode ser descrita como tendinite em casos agudos de overuse dos tendões, ou como tendinose em casos crônicos com alterações degenerativas no corpo do tendão. Em qualquer um dos casos, o tendão mais acometido é o do supraespinal, seguido pelo infraespinal, subescapular e redondo menor. Já a ruptura parcial se dá pela evolução do quadro degenerativo ou por traumas diretos, e se não tratada corretamente pode evoluir para ruptura total.

O fundamento do tratamento dessas lesões está na estabilização da articulação do ombro através da correta ativação dos músculos do manguito rotador e demais musculos estabilizadores, como grande dorsal, rombóides, serrátil anterior e peitoral menor. Eles devem ser trabalhados em resistência, pois atuam no posicionamento articular como músculos do tipo tônico. (vídeo)

Dica de atendimento: alguns estudos (Cools et al, 2007) mostram exercícios em decúbito lateral e ventral, específicos para a musculatura estabilizadora do ombro, posturas em que o trapézio superior não é ativado devido ao fato de ser um músculo antigravitacional. Desta forma, a escápula não é tracionada e se matém no posicionamento ideal durante a realização dos exercícios.

Outra especificação importante sobre a execução de tais exercícios é a abdução e flexão de 10°-30° do ombro, permitindo assim um melhor padrão de vascularização do supraespinal, tendão que é geralmente o mais acometido. Isso pode ser feito através de pequenos rolos de toalha posicionados na axila dos pacientes.

O treino sensório-motor, apesar de ser intensificado na fase final da reabilitação, não deve ser esquecido nas fases iniciais, sendo executado através de co-contrações e exercícios em cadeia cinética fechada. As atividades em cadeia cinética aberta devem ser realizadas preferencialmente nas etapas mais avançadas do tratamento, por se tratarem de exercícios mais instáveis para a articulação do ombro, uma vez que exigem adequado posicionamento escapular e correta ativação muscular.

Ft. Thaís Bortolini Bueno

Especialista em Fisioterapia no Esporte CETE/UNIFESP

Sugestões de estudo:

Rehabilitation of Scapular Muscle Balance (Cools et al). The American Journal of Sports Medicine, 2007.

Current Concepts in Scientific and Clinical Rationale Behind Exercises for Glenohumeral and Scapulothoracis Musculature (Reinold, M.M; Escamilla, R.; Wilk, K.E.). Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy (JOSPT), 2009.

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