Lesões no ciclismo

O ciclismo surgiu na Inglaterra em 1890, e já na sua primeira década de vida nasceram as grandes provas que ao longo dos anos se tornaram clássicos do esporte, como Liege-Bastogne-Liege, Tour de France e Vuelta a España, compondo o grupo das provas de velocidade e de Grand Tour. Existem ainda, outras categorias que são dividida de acordo com a dificuldade e com a aventura: Cross Country, praticado em todo o tipo de terreno, de preferência em montanhas; Free Ride, com um andamento mais extremo, em que se dá preferência a saltos e descidas; BMX, praticado em circuitos específicos de terra; Down Hill, que é a versão mais extrema e perigosa do ciclismo, pois consiste somente em descer, normalmente a velocidades altas, sendo este praticado tanto em montanhas como em cidades. Cada categoria requer bicicletas específicas e um biotipo diferente de atleta.

O cilista, de modo geral, tem baixa taxa de gorgura na sua composição corporal, grande capacidade vital, grande volume pulmonar, excelente capacidade cardíaca e eficiência no rendimento (baixo consumo de oxigênio sob grandes esforços). Tais características se dão pela predominância de atividade aeróbia, tornando o esporte conhecido como atividade de resistência, ou endurance.

Atualmente, o ciclismo indoor também é muito praticado, que se iniciou com o uso da bicicleta estacionária para treinamento específico da modalidade quando os atletas não tinham possibilidade de treinar em ambiente externo devido a indisponibilidade geográfica ou condições metereológicas desfavoráveis. Hoje, a modalidade é praticada em clubes, academias e outros ambientes, sendo o Brasil o 3° país do mundo com maior número de praticantes.

O ciclismo é considerado uma modalidade esportiva de baixo risco quanto à ocorrência de lesões, porém como todo e qualquer esporte é passível destas ocorrências. As lesões mais comuns encontradas nos atletas de competição são lesões por excesso de treinamento, ou over tranning. Em ciclistas recreacionais, as lesões ocorrem em função do mau ajuste da bicicleta, da falta de uso do equipamento de segurança ou traumas diretos.

Na maioria das vezes, o ajuste da bicicleta é feito com base em tentativa e erro, ocorrendo maus ajustes na posição do selim, guidom ou dos tacos das sapatilhas. Estes ajustes têm sido relacionados com a ocorrência de lesões, além de acarretar maior gasto energético, afetando o desempenho do atleta. Os pequenos desajustes no posicionamento são também descritos como uma das principais causas de lesões nos joelhos, bem como por promover alterações em características biomecânicas da pedalada.

Os ajustes da bicicleta consistem em uma medida preventiva de lesões, sendo de extrema importância para o bem-estar e o rendimento do ciclista.

– De modo geral, o apoio do pé no pedal deve ocorrer na região do antepé, permitindo que durante a pedalada, sejam utilizadas as alavancas de força de todas as articulações do pé (antepé-mediopé e mediopé-retropé) e do tornozelo. A fixação no pedal deve permitir um leve grau de rotação para ajustes no alinhamento do membro inferior, possibilitando, por exemplo, maior valgo ou varo de joelho.

– O ajuste do selim deve permitir, em média, 10° de flexão de quadril, 15-20° de flexão de joelho e 10° de extensão de tornozelo na posição maisrelaxada do membro inferior. Outra maneira de ajuste pode ser feita dinamicamente, quando o pé deve passar paralelo ao solo no ponto mais baixo da pedalada.

– Após os ajustes do pedal e do selim, deve-se atentar para o posicionamento do guidom e a distância do selim, proporcionando o melhor posicionamento possível para membros superiores e coluna.

No entanto, apesar de todas as medidas preventivas como a ergonomia da bicicleta e o uso de equipamentos de segurança, ainda ocorrem lesões pelo excesso de treinos:

– Lesões dermatológicas: pode haver compressão da pele, assaduras e neuropraxia nas áreas que entram em contato com o guidom e com o selim.

– Lesões ocasionadas por quedas: ocasionadas, principalmente, por colisão entre ciclistas e acidentes de trânsito.

– Disfunção patelo-femoral: quando o ciclista pedala com o selim muito baixo e/ou avançado pode ocorrer uma flexão excessiva do joelho, levando a uma maior carga de compressão na articulação patelo-femoral.

– Tendinites: com o selim muito alto e/ou recuado, pode ocorrer uma tensão excessiva dos músculos posteriores da coxa, sobrecarregando essas estruturas.

– Lombalgia: ocasionada pelo mau ajuste da bicicleta (guidom muito baixo, por exemplo), mas também pelo excesso de treinamento.

– Cervicalgia:ocasionada pelo posicionamento prolongado da cervical em flexão para melhorar a aerodinâmica do ciclista.

Após descrever a ergonomia ideal da bicicleta e as principais lesões, fica claro que o ciclismo é um esporte que, diferentemente dos outros, a prevenção faz parte da rotina diária do ciclista, pois maus ajustes afetam diretamente o desempenho do atleta. Talvez seja esse o motivo do baixo índice de lesões nesse esporte! Qual a importãncia da prevenção de lesões para você? Reflita…

Ft. Thaís Bortolini Bueno

 

Fonte: Ciclismo Completo (Greg Lemond y Kent Gordis).

Imagens: Infoescola e Saúde e Você

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