Lesões no Balé

balé clássicoA dança é uma arte que exige de seus praticantes uma excelente preparação física. Hoje, ela abrange várias técnicas e estilos como o hip-hop, moderno, jazz, balé clássico, entre outros. As demandas funcionais desta atividade pode expor os dançarinos a riscos de lesões músculo esqueléticas. Alinhamento anatômico, má formação, erros técnicos, coreografia desconhecida ou estilo e fatores ambientais, incluindo superfícies de piso e temperatura, também têm sido levantados como fatores que contribuem para lesões na dança.

lesões no baléO pé e tornozelo de um dançarino são particularmente vulneráveis e representam de 34% a 62% de todas as lesões relatadas. Apesar do calçado ser específico para cada estilo a maioria dos sapatos de dança raramente incluem mecanismos de absorção de choque e o balé moderno, por exemplo, é realizado com os pés descalços.

A tríade da mulher atleta, amenorreia, distúrbios alimentares e baixa densidade óssea tem sido correlacionado ao aumento do risco de fraturas de stress. Analisando a biomecânica dos movimentos do balé podemos correlacionar com a ocorrência de lesões. As posições extremas utilizadas, como a permanecer na ponta dos dedos dos pés, ou na posição de meia-ponta, podem acarretar lesões agudas.

Na posição de ponta a bailarina exige uma grande amplitude de flexão plantar do tornozelo, sendo que os dedos dos pés sustentam uma posição neutra em relação ao eixo longitudinal do pé. A amplitude de movimento de flexão plantar do tornozelo, a força dos músculos intrínsecos do pé e dos músculos da perna são necessários para a melhor performance nos movimentos que exigem manter-se na ponta dos pés. Deste modo, o apoio do peso corporal é feito na articulação do tornozelo, juntamente com os primeiro e segundo raios.

baléA técnica do balé clássico ainda envolve o posicionamento de rotação externa das pernas, formando um ângulo de 180º graus dos pés. Muitos bailarinos não conseguem atingir esta posição de primeira ou quinta por causa das limitações de rotação do quadril e, para colocar os pés na posição correta, o dançarino pode recorrer a pronação ou rolamento do arco medial e tornozelo, colocando maior torque na parte medial do tornozelo, da tíbia e do joelho. Esta posição forçada pode levar a lesões no pé, tornozelo e joelhos.

Lesões de inversão do tornozelo são as lesões traumáticas mais comuns em dançarinos. Aterrissagens de salto e forças excessivas na face lateral do tornozelos na meia-ponta são os mecanismos comuns de lesão. Em ambos os casos, o tornozelo está em flexão plantar, uma posição mais vulnerável para a ocorrência desta lesão.

balé modernoMuitas vezes chamada de tendinite do dançarino, a tendinite do flexor longo do hálux (FLH) é comum em bailarinos e tem sido descrita em outros atletas, mas vê-se com mais frequência neste grupo. Um estudo biomecânico demonstrou que os músculos FLH e flexor longo dos dedos trabalham de 2,5 a três vezes mais do que aqueles que cruzam apenas a articulação do tornozelo, colocando esses músculos e tendões em risco de lesões por sobrecarga. A mudança repetitiva da posição de flexão plantar do pé total para a posição de plié com o tornozelo em dorsiflexão faz com que o tendão FLH se torne inflamado, sendo comprimido em seu túnel osteofibroso ao longo do tálus póstero-medial abaixo do sustentáculo do tálus.

Ft. Gabriela Borin

Sobre o autor Gabriela Borin

Gabriela Borin escreveu 18 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela USP, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Mestranda em Ciências pela FM/USP. Estuda Fisioterapia Esportiva e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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