Lesões no Automobilismo – São Paulo Indy 300

As portas da segunda edição da São Paulo Indy 300, terceira corrida do ano da Fórmula Indy, a piloto brasileira Bia Figueiredo corre contra o tempo para se recuperar de uma fratura na mão direita, operada há quatro semanas, e conseguir competir com boas condições físicas. O período pós operatório exige repouso do braço, o que leva há algum grau de atrofia muscular. No caso de um piloto, onde essa musculatura é extremamente exigida nas curvas que realizam a mais de 200km/h, torna-se um problema grande. Para tanto, Bia faz fisioterapia diária e fortalecimento específico para o membro superior da mão operada a fim de equilibrar as forças musculares com o outro membro. Mesmo assim, por determinação da Organização da Indy, ela deverá correr com um protetor na mão, o que também não é uma tarefa fácil pois qualquer coisa além da luva prejudica o contato com o volante e limita os movimentos, dentro de um cockpit apertado.

É interessante entender como se dá a preparação física dos pilotos para as provas. Cada circuito é tem a sua característica e exige da condição física do piloto de uma forma diferente. O trabalho físico é feio sempre visando o circuito seguinte, mas basicamente os pilotos usam um treinamento misto, variando entre estímulos para ganho de força e estímulos para ganho de resistência num mesmo treino, ora com a frequencia cardíaca alta ora baixa, tentando sempre simular uma corrida. No caso específico da Fórmula Indy, circuitos mistos exigem força e resistência, já os circuitos ovais requerem mais resistência.

A parte as lesões decorrentes de traumas (devido aos acidentes e que não podem ser previstos, mas podem ser minimizados pelo uso dos equipamentos de segurança), as lesões mais frequentes no automobilismo são as geradas por sobrecarga no sistema músculo-esquelético: lombalgias, cervicalgias e fraturas por stress mas mãos.

É importante trabalhar o sistema muscular completo do piloto, porém os músculos do pescoço, ombro, trapézio, tríceps e bíceps em particular, já que são muito mais exigidos que os demais durante uma corrida. O fortalecimento da musculatura do pescoço é algo muito particular do automobilismo. Ao realizar as curvas em alta velocidade, a tendência é a cabeça do piloto ser empurrada para o lado de fora da curva. O sustentar da cabeça exige uma musculatura do pescoço muito bem treinada. Nas ultimas voltas das provas é fácil perceber quem demonstra sinais de cansaço, revelado pela cabeça pendente no cockpit. A tão falada Força G (força de ação que exerce a gravidade) atuante sobre o corpo do piloto chega até a cinco vezes o seu peso e o empurra para dentro do carro. Quanto maior a velocidade maior a força e isso exige uma musculatura potente de braços, costas, coluna, pescoço e abdominal para suportar tal efeito.

Deste modo, já que as lesões mais frequentes se apresentam devido a sobrecarga, abre-se um porta grande para a atuação do fisioterapeuta nas categorias do automobilismo, trabalhando com a prevenção. Pouco se divulga, mas diversos pilotos tem sempre o seu fisioterapeuta particular!

Desejamos aos brasileiro que competem na São Paulo Indy 300: Bia Figueiredo, Hélio Castroneves, Tony Kanaan, Vitor Meira e Raphael Matos, uma ótima corrida!!

Ft. Fernando Cassiolato

Referências: Federação de Automobilismo de São PauloIZOD IndyCar SeriesAutoRacing
Foto: Miguel Costa Jr., Britishblogs

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