Lesões na Copa N°3: CASO BALLACK

Às vésperas da Copa do Mundo, o jogador Michael Ballack, até então capitão do time da Alemanha, durante uma partida de seu time, o Chelsea, contra o Portsmouth, pela final da Copa da Inglaterra, recebeu uma forte entrada do jogador ganês, Kevin-Prince Boateng.

Ao analisarmos o vídeo do lance notamos que o jogador ganês pisa com o pé no tornozelo direito de Ballack que está com o pé fixo no gramado, causando um entorse de tornozelo em eversão. O jogador recebeu o primeiro atendimento em campo, sem condições de continuar, sendo substituído logo na primeira etapa da partida. O site da Federação de Futebol Alemã divulgou a seguinte informação sobre a lesão do jogador: “O capitão Michael Ballack está fora da Copa do Mundo 2010 na África do Sul. Foi constatada uma ruptura do ligamento colateral medial do tornozelo direito. A tomografia mostra ainda uma ruptura parcial da sindesmose do tornozelo direito.”

Segundo tais informações podemos ter uma idéia do entorse medial, porém não sabemos com precisão qual ligamento foi lesionado. O ligamento deltóide é considerado como o estabilizador medial do tornozelo. Porém, esse ligamento na verdade deve ser visto como um complexo de ligamentos mediais do tornozelo, composto por diversas bandas, com componentes mais superficiais e outros profundos. Além disso, o jogador apresentou uma lesão da sindesmose tibiofibular, composta pelo ligamento tibiofibular anterior, interósseo e tibiofibular posterior. A lesão da sindesmose ocorre normalmente em lesões em rotação, que freqüentemente acompanham entorses do tornozelo.

TRATAMENTO: No caso do jogador Michael Ballack, a equipe optou por realizar a imobilização do tornozelo por duas semanas, sem descarga de peso. Depois disso, é previsto um período para retorno ao treinos de no mínimo oito semanas, segundo o médico do time alemão, Hans-Wilhelm Müller-Wohlfahrt. A opção de tratamento na maioria dos casos de entorse é o conservador, como foi para Ballack. Mesmo em casos mais graves esse tratamento tem sido considerado de acordo com as queixas e evolução do paciente. O fisioterapeuta do esporte dispõe de muitas ferramentas que irão ajudar na reabilitação desse atleta, tais como recursos eletrotermofototerapeuticos, mobilizações articulares, treino sensório-motor, entre outros. Porém, após um período de reabilitação se este paciente evoluir com queixa de instabilidade no tornozelo, sensação de falseio, entorses de repetição que atrapalham o desempenho na prática da atividade física devemos pensar em outras possibilidades de tratamento, como o cirúrgico.

É importante ressaltar que 44% dos entorses de tornozelo evoluem para outras limitações, tais como déficits proprioceptivos, limitação de extensão de tornozelo, anteriorização do talus, predispondo o atleta a lesões e recidivas. Dessa forma, respeitando a gravidade da lesão, o tempo de cicatrização e a dor, discutindo a evolução desse paciente com os demais profissionais e sendo realizada uma avaliação contínua este provavelmente retornará a prática do seu esporte com menor risco de recidiva.

Apesar do time da Alemanha perder seu capitão, a seleção seguiu firme na Copa! Mas acabou encontrando a Espanha no seu caminho!! Será que teria sido diferente se Ballack estivesse por lá?!

Ft. Gabriela Borin

Referências
Revista Brasileira de Ortopedia. Julho – 1997
Journal of Athletic Training 2002;37(4):413–429
J Orthop Sports Phys Ther, Volume 36, Number 7, July 2006.
Foot Ankle Clin N Am 8 (2003) 723– 738.
Fotos: http://www.dfb.de/

Sobre o autor Gabriela Borin

Gabriela Borin escreveu 18 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela USP, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Mestranda em Ciências pela FM/USP. Estuda Fisioterapia Esportiva e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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