Tendinopatia patelar tira Djokovic do duelo de simples da Copa Davis

Apenas uma semana depois do sérvio Novak Djokovic assumir o topo do Ranking da ATP e desbancar Rafael Nadal na final de Wimbledon (2011), foi anunciado que ele seria cortado da delegação que representaria a Sérvia contra a Suécia, devido as dores decorrentes de uma tendinopatia patelar. Apesar de sua presença não ter sido descartada até o ultimo dia do confronto, o tenista entrou em quadra no jogo de duplas com Zimonjic, mas perdeu o duelo para os suecos. Mesmo assim, seu substito do duelo de simples, Janko Tipsarevic, deu conta do recado e venceu sua partida. A Sérvia avançou com o 4×1 sobre a Suécia e agora pega na Argentina, na semifinal da Copa Davis.

bandagem tendinopatia patelarOs mais atentos, e que acompanham o mundo do tênis, devem ter percebido uma pequena tira branca logo abaixo do joelho esquerdo de Djokovic. Esta tira vem sendo usada pelo tenista já há algum tempo, o que indica um pequeno problema crônico no tendão patelar. O calendário das competições de Tênis é cruel para aqueles que estão no topo da ATP. Quando mais um jogador avança nas competições, maior o desgaste e com pouco tempo de recuperação. Esses atletas enfrentam uma maratona de jogos e cedo ou tarde as lesões aparecem.

tendinopatia patelarA tendinopatia patelar figura entre um das lesões mais frequentes neste esporte. Os movimentos de aceleração e desaceleração são intensos e acontecem o tempo todo durante a partida (além de todo o período de treinamento). O movimento excêntrico do joelho é o grande responsável pela sobrecarga no tendão, presente na fase de preparação do saque e após cada batida na bola. A dor decorrente da tendinopatia patelar aparece apenas como um desconforto no início, o que a leva na maioria dos casos ser subestimada, pois cessa após o aquecimento e no decorrer da prática. Com o tempo e a falta de cuidados, o quadro se agrava e o atleta passar a sentir dor constante. A tira patelar usada por Djokovic é uma medida paleativa, ou seja, não é tratamento e sim um mecanismo para aliviar a dor e possibilitar a prática esportiva. Esta bandagem funciona como um ponto de inserção extra ao tendão patelar, poupando o tendão de parte da sobrecarga.

Quando um atleta chega a fisioterapia com diagnóstico de tendinopatia patelar é necessário ter em mente que se trata de um quadro que se inicio há meses atrás, portanto deve ser considerado como crônico, na maioria das vezes. Seu tratamento é simples, porém lento! A possibilidade de que se estenda por alguns meses é grande, tornando-se um grande desafio para atleta e fisioterapeuta lidar com o fator psicológico do problema (aquele por não sentir melhora rápida e este  por não ver resultado rápido).

Hoje discute-se que não há um processo inflamatório no tendão (por isso a mudança do termo tendinite para tendinopatia patelar).

O que ocorre é uma degeneração deste tecido, mas de causa desconhecida. Apesar disto, as pesquisas clínicas apontam que a melhor forma de tratamento hoje é o emprego de exercício excêntrico controlado. No caso da tendinopatia paletar, uma das mais estudadas, o uso de agachamentos em plano inclincado de 25°-30° é o indicado. A carga deve ser progressiva e o exercício é realizado com sensação de dor leve local. Medidas como crioterapia, ultra-som, laser e acupuntura podem ser adjuntos de grande valia.

Vale lembrar que o tratamento cirúrgico não é superior ao conservador. A cirurgia somente é indicada após 6 meses de fisioterapia e que não tenha ocorrido melhora dos sintomas.

Ft. Fernando Cassiolato

Referências:
Cohen et al. Rev. bras. ortop. 43, n.8, pp. 309-318, 2008.

Fotos: Djokovic Official

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

6 Replies to “Tendinopatia patelar tira Djokovic do duelo de simples da Copa Davis”

  1. Gostei do artigo também.
    Esse trabalho fisioterapico se inicia imediatamente apos a realização do PRP, que Nadal fez?

    1. Olá Beto! Nos casos em que é utilizado a técnica do PRP a fisioterapia deve ser iniciada o mais breve possível. É comum os pacientes relarem dor e desconforto no local de aplicação, por isso no início empregamos exercícios ativos livres. Conforme a tolerância for aumentando e dor cedendo começa o emprego de exercícios com carga e alongamento. No caso específico do Nadal ele apresenta um problema chamado Síndrome de Hoffa, ou síndrome do impacto da gordura infrapatelar. Nestes casos, lesões repetitivas acarretam alterações crônicas da gordura causando dor na face anterior do joelho, podendo ainda causar fibrose, gordura hipertrofiada e diminuição do espaço articular. Não sei lhe dizer ao certo qual o procedimento exato que o Nadal foi submetido, mas a fisioterapia é o que o mantém ainda ativo.

  2. Olá, gostei do artigo. Mas gostaria de entender o porquê se realiza este achamento especificamente com angulação de 30º??

    1. Olá Matheus,

      Muito obrigado pelo seu comentário. Esse agachamento em superficie inclinada é muito usado no tratamento da tendinopatia patelar, pois vários estudos mostraram que nessa ângulação o tendão sofre uma tensão maior do que se fosse realizado em uma superficie plana. Essa tensão é importante para o tendão, pois ajuda a realinhar as fibras de colágeno e transformar o colágeno tipo III (ruim para o organismo) em colágeno tipo I (colágeno muito mais forte e capaz de suportar uma carga muito maior sem lesionar o tendão). Mas se quiser saber com mais detalhes, podemos lhe enviar dois artigos que falam bem sobre o assunto.

      Mande esse cometário para o ” Pergunte ao especialista” que lhe enviamos os artigos por e mail.

      Saudações,

      Equipe Spalla Fisioterapia.

Queremos seu comentário...