Infiltração sim!

O tema é polêmico, principalmente para os fisioterapeutas que possuem uma séria de métodos de alívio de dor e controle de inflamação, porém há momentos em que a infiltração é necessária e pode fazer toda a diferença dentro do planejamento esportivo.

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No dia 02/12/2012, em partida válida pela ultima rodada do Campeonato Brasileiro, o atacante peruano Paolo Guerrero, do Corinthians, se machucou em dividida com o zagueiro são-paulino João Filipe, ainda no primeiro tempo, tendo que ser substituído. Prontamente foi iniciado o tratamento, ainda no banco de reservas, com uma bolsa de gelo no local lesionado. No dia seguinte veio a confirmação de um estiramento no ligamento colateral medial do joelho direito. Até aí se trata de uma lesão comum no futebol, com provável prosseguimento de rotina: vetar o jogador e encaminhar para a reabilitação, com retorno provável de no mínimo 2 semanas até 6 semanas. Seria uma caso comum se no dia depois do diagnóstico o time do atacante não fosse viajar para disputa do Mundial de Clubes da Fifa e o jogador fosse peça chave no esquema tático do técnico. Frente a esta dificuldade a infiltração se apresenta como um recurso médico de altíssima valia e possibilita a recuperação primária em um pouco tempo . Assim, o jogador foi submetido a infiltração (provavelmente com corticoides), pôde encarar as 14h de voo (recebendo tratamento fisioterapêutico durante todo o trajeto) e ser reavaliado na chegada a Dubai. Já no Japão e a menos de dez dias da estreia do time do Corinthians na competição o que se viu foi o atacante Paolo Guerrero fazendo trabalho intensos e separado do grupo, sob supervisão dos fisioterapeutas Bruno Mazziotti e Caio Mello.

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Em outubro (2012) chileno Valdivia também teve lesão semelhante, permanecendo fora do resto do Campeonato Brasileiro. Confira a matéria aqui, com descrição do mecanismo de lesão e nossas dicas de tratamento.

guerrero4Apesar de ser uma lesão simples o grande agravante é a dor persistente para bater na bola com a face interna do pé (chapa) o que limita muito a confiança do atleta e pode retardar o seu retorno ao campo. O tratamento deve seguir uma progressão de carga e estresse na região, tomando o cuidado para não agudizar o caso e regredir no tratamento.

Não temos a informação, mas pode ser que o atacante Guerrero tenha recebido uma nova infiltração, desta vez com anestésicos, no vestiário antes do jogo contra o Al Ahly. Atitude esta que há um risco pois poderia agravar a lesão, mas permitiria o atacante a jogar sem queixa alguma. Conduta aprovada ou não? O resultado foi um gol do atacante que rendeu ao Corinthians a possibilidade de disputar o título mundial de 2012 contra o Chelsea. Isso prova que o Departamento Médico pode fazer gols sim e o trabalho destes profissionais deve ser mais valorizado por parte dos dirigentes.

Na pior das hipóteses o jogador vai ao sacrifício nestes jogos e terá a pré-temporada para se recuperar. Casos como este é um risco que deve ser calculado e discutido, não vamos crucificar a infiltração. Por fim, é claro que se há tempo para uma recuperação conservadora e cautelosa poderia ser revisto o uso da infiltração neste caso.

Ft. Fernando Cassiolato

Fotos: Gazetapress, Marcos Ribolli, Lucas Borges

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

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