Fratura por stress – Parte II

Na segunda parte desse artigo discutiremos sobre sintomas, diagnóstico e tratamento de fratura por stress. Alguns estudos relatam que as fraturas por stress mais comuns são na tíbia, metatarso e fíbula, sendo a sua maior incidência em corredores. A lesão é mais comum nos membros inferiores, porém podem ocorrer fraturas em membros superiores, por exemplo em jogadores de beisebol, no cotovelo e ombro; e em praticantes de remo, nas costelas.

Diagnóstico

O atleta refere dor insidiosa após uma atividade com descarga de peso, podendo progredir para dor ao andar e até em repouso. Ao exame físico é possível a localização de pontos de tensão, ainda pode  ser observado edema. O diagnóstico diferencial inclui infecções, bursites, neoplasma, síndrome compartimental, entre outros. É necessário que o atleta faça uma avaliação médica, para diagnosticar de maneira mais criteriosa a sua lesão, sendo solicitado se necessário os exames adequados ao seu caso.

Após o diagnóstico através da história, exame físico e exames, o tratamento deve ser iniciado.

Princípios do tratamento

Conhecendo o esporte e o local da lesão, é possível planejar o tratamento. Devemos considerar os fatores que levam a sua ocorrência. Os fatores de risco extrínsecos sugeridos são treinamento, equipamentos (tênis, piso,…) e hábitos nutricionais. Os fatores de risco intrínsecos incluem variações anatômicas, condição muscular e distúrbios hormonais. No caso das mulheres, é importante que o profissional esteja atento a Tríade da Mulher Atleta.

O sucesso do tratamento vai depender muito da identificação desses fatores. Alterações no treinamento, calçado, fortalecimento muscular, hábitos alimentares,… devem ser discutidos entre os profissionais, atuando na modificação dos possíveis fatores desencadeantes.

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O fisioterapeuta deve realizar uma avaliação criteriosa, identificando as causas da sobrecarga a estrutura óssea como discutidos na parte I deste artigo. O objetivo do tratamento deve estar claro, considerar os sintomas do paciente e os fatores relacionados a lesão. Em um primeiro momento é provável que o tratamento esteja focado na redução da dor,  podendendo ser utilizado alguns recursos como o laser e gelo. Além disso, deve se levar em consideração a parte muscular, tanto o fortalecimento, ativação muscular e liberações miofasciais.

Uma das fraturas mais comuns, na tíbia na região posteromedial  classificada de baixo risco, normalmente responde bem a um período de afastamento e retorno gradual ao esporte, sendo importante a identificação de algum fator de risco, e a modificação do mesmo.  Fraturas de baixo risco respondem bem a períodos de 2-6 semanas de repouso das atividades, realizando fisioterapia, lembrando da importância de manter o condicionamento do atleta. Em média o atleta apresenta melhora dos sintomas e da lesão de 1-2 meses, mas o retorno ao esporte leva em média de 3-4 meses.

O retorno ao esporte deve ser realizado de maneira progressiva. Embora não exista evidências, uma recomendação comum é aumentar não mais que 10% o nível da atividade por semana. E se o paciente apresentar dor retornar ao nível anterior de atividade.

Alguns estudos citam o uso de braces pneumáticos. Seriam dois os mecanismos propostos para o seu uso. O primeiro pelo fato de diminiuir a força diretamente na tíbia. Já o segundo se deve ao brace causar uma congestão venosa, aumentando o fluído interticial, aumento a carga de eletronegatividade.

O jogador de basquetebol Yao Ming sofreu uma lesão de fratura por stress.
O jogador de basquetebol Yao Ming sofreu uma lesão de fratura por stress. Image: Keith Allison/Flickr

Apesar do tratamento, a fratura por stress pode evoluir, sem melhoras dos sintomas sendo necessário o tratamento cirúrgico. Por exemplo, na tíbia entre os tratamentos, há o de colocação de uma haste intramedular. É necessário que os profissionais responsáveis pelo tratamento discutam as melhores opções para o paciente.

A fratura por stress é uma lesão que tem muitas variáveis que devem ser consideradas no tratamento do paciente. O correto entedimento destas pode ajudar na obtenção de bons resultados para o atleta!

 

Ft. Gabriela Borin

 

Referências

Michelle Pepper, Venu Akuthota, Eric C. McCarty. Clin Sports Med 25 (2006) 1–16
Jason J. Diehl, Thomas M. Best, Christopher C. Kaeding. Clin Sports Med 25 (2006) 17- 28
William Glenn Raasch, David J. Hergan. Clin Sports Med 25 (2006) 29-36
Rebecca A. Snyder, Michael C. Koester, MD, Warren R. Dunn. Clin Sports Med 25 (2006) 37-52

Sobre o autor Gabriela Borin

Gabriela Borin escreveu 18 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela USP, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Mestranda em Ciências pela FM/USP. Estuda Fisioterapia Esportiva e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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