Fratura por estresse

Danielle Lins from Brazil setsA levantadora da equipe do Sesi-SP e da Seleção Brasileira de Voleibol, Dani Lins, ficará afastada das quadras por cerca de três semanas para tratamento de uma fratura por estresse no pé esquerdo. A lesão da atleta foi diagnosticada há pouco mais de uma semana, e desde então ela faz uso de uma órtese para imobilização das articulações de tornozelo e pé, além de evitar descarga de peso.

Dani Lins é mais uma atleta prejudicada pelo calendário do esporte brasileiro, que não permite um período de recuperação entre competições nacionais e internacionais, aumentando, assim, fatores de risco de lesões e overtraining nos atletas.

A lesão sofrida pela atleta é consequência de uma contínua modificação óssea em resposta a cargas excessivas aplicadas a estrutura óssea em questão. Essa alteração na atividade óssea pode resultar desde uma simples remodelação fisiológica até a fratura por estresse.

A biomecânica desta lesão pode ser explicada pelas propriedades viscoelásticas do osso, que permitem a adaptação do tecido a forças de tensão, tração e compressão. Essas forças são estímulos às atividades piezoelétricas do tecido ósseo, resultando em ostegênese (síntese óssea local) e osteoclasia (reabsorção óssea local), ambas relacionadas com a remodelação fisiológica. Esse processo de remodelação ocorre devido ao equilíbrio das atividades osteogênica e osteoclástica.

remodelação ósseaNo entanto, quando as forças mecânicas são aplicadas de maneira cíclica e repetitiva numa mesma estrutura óssea, essa fase inicial do processo de remodelação óssea torna-se temporariamente frágil, e a taxa de reabsorção óssea supera a taxa de síntese, ocasionando um importante desequilíbrio no tecido que pode, finalmente, resultar na fratura por estresse.

A etiologia desta lesão está relacionada com uma combinação de fatores intrínsecos (idade, sexo, nível de atividade física, fraqueza/fadiga muscular, distúrbios hormonais, desequilíbrios alimentares, características biomecânicas, entre outros) e fatores extrínsecos (intensidade, frequência e variações no treinamento, condições de superfície, calçado etc.). O controle da presença desses fatores deve ser feito pela equipe multidisciplinar responsável pelo atleta, visando sempre a prevenção desta e outras lesões.

Porém, uma vez diagnosticada, a fratura por estresse deve ter seu tratamento iniciado imediatamente com repouso através da suspensão de cargas e forças mecânicas, analgesia, recursos de eletroterapia para estímulo osteogênico (laser, ultrassom pulsado de baixa intensidade, eletroestimulação) e manutenção das condições físicas do indivíduo, sem causar resposta de estresse anormal na estrutura afetada. Quando o quadro álgico estiver ausente por um período de 10 a 14 dias, inicia-se a aplicação de forças mecânicas associada a fortalecimento, utilização de órteses, correção de fatores biomecânicos e readaptação do treinamento de maneira lenta e gradual, sempre controlando os sintomas de dor.

Ft. Thaís Bortolini Bueno

Sobre o autor Thaís Bortolini Bueno

Thaís Bortolini Bueno escreveu 8 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela UFSCar, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/UNIFESP. Estuda Fisioterapia Esportiva com ênfase em Desempenho e Prevenção. Atua nas cidades de São Paulo e Jundiaí com atletas de corrida de rua, tênis e vôlei de praia.

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