Fratura da diáfise do úmero – Entenda o que conseguiu parar Rodrigo Minotauro

Na última edição do mais conhecido campeonato de MMA (UFC 140, disputado nesse último sábado, 10/12/2011), o lutador brasileiro Rodrigo Minotauro, da categoria peso-pesado, sofreu uma grave lesão (fratura da diáfise do úmero) que o afastará dos ringues por, pelo menos, cinco meses.

chave de braço MMADurante o combate, Minotauro recebeu um golpe conhecido como Kimura, muito comum em artes marciais como jiu-jitsu e judô. A aplicação do golpe consiste numa chave de braço onde trava-se o ombro em rotação interna, e o braço do adversário faz uma alavanca utilizando o úmero do oponente. A força de rotação é muito intensa, e pode implicar em duas situações: luxação anterior da articulação gelonoumeral, ou fratura da diáfise do úmero, devido a alavanca aplicada para sustentar o golpe.

No caso do lutador brasileiro, a consequência foi uma fratura simples do úmero, do tipo transversa na diáfise do osso. A fratura da diáfise do úmero é um tipo de lesão que pode ser classificada em simples ou complexa, dependendo do local e traço da fratura, desalinhamento e lesões associadas. Fraturas simples são consideradas aquelas ocorridas na diáfise do osso, com um traço oblíquo (maior do que 30°) ou transverso (menor do que 30°), sem desalinhamentos ou lesões de tecidos moles adjacentes. Fraturas complexas são consideradas as ocorridas nas regiões articulares de ombro ou cotovelo, traço de fratura em espiral, desalinhamento dos fragmentos e com possível presença superfícies irregulares, lesão vascular ou neural (o nervo mais acometido, nesse caso, é o radial).  As fraturas simples tem tratamento conservador como primeira opção; já as fraturas complexas são tratadas diretamente com intervenção cirúrgica.

brace umeroApós exames radiológicos e uma cuidadosa análise do caso, a equipe médica do UFC, juntamente com o atleta, decidiram pelo tratamento conservador da lesão, pelo fato de ser uma fratura simples, sem desalinhamento dos fragmentos. Nesse caso, o tratamento conservador consiste em utilização de um brace especial, confeccionado por polipropileno e ajustes de velcro, de formato circunferencial feito sob medida, permitindo a movimentação do ombro e do cotovelo. A órtese funciona com o princípio de contração muscular ativa, corrigindo rotação e angulação, além do efeito compressivo nos tecidos moles, alinhando os fragmentos da fratura. Como a órtese permite a movimentação ativa das articulações adjacentes à fratura, a perda de amplitude de movimento (ADM) de ombro e cotovelo é mínima, em média 10 graus. É possível ainda, trabalhar contrações isométricas e isotônicas de baixa intensidade, evitando perda de massa muscular.

Além da imobilização, o peso-pesado Minotauro irá realizar duas sessões diárias de ultrassom de baixa intensidade, com o objetivo de acelerar o processo de consolidação óssea. A aplicação dura 20 minutos por sessão, criando um campo piezoelétrico no tecido ósseo que promove a atividade de osteoblastos e fibroblastos, favorecendo o remodelamento do osso.

fratura da diafise do umeroO processo de reparação do tecido ósseo no corpo humano pode variar de 4 a 8 semanas, dependendo do tipo da fratura, da presença de fragmentos, do grau de mobilidade no foco da lesão e das forças de tração ou tensão. Após a consolidação do foco de fratura, a órtese imobilizadora pode ser retirada e iniciam-se exercícios de fortalecimento e hipertrofia dos músculos do ombro e cotovelo, principalmente. Técnicas de terapia manual podem ser utilizadas na recuperação da ADM, e o treino sensório-motor deve ser iniciado assim que possível para reintegrar a função dos proprioceptores articulares. O retorno ao esporte se dá na fase mais avançada do tratamento, na ausência de dor e na capacidade funcional do atleta, em média a partir do quarto mês. Porém, o retorno as competições de alto nível exige, que exige a completa recuperação do atleta, é prevista para cinco ou seis meses de tratamento.

Boa sorte, Rodrigo Minotauro!

 

Ft. Thaís Bortolini Bueno

Colaboração: Ft. Luís Felipe Minechelli (especialista em Fisioterapia no Esporte e atleta graduado na  faixa preta de Jiu-Jitsu)

Fontes e Fotos: UOL Esporte e "Fraturas em Adultos" – Rockwood & Green, volume 1, 6a edição

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