Fatores psicologicos X Esportes

futebol americanoExistem fatores psicológicos capazes de ajudar a identificar os atletas mais propensos a sofrerem determinadas lesões? As primeiras tentativas destinadas a investigar essa questão utilizavam a abordagem baseada nas características (introversão, extroversão, autoconceito, ansiedade, agressividade e dominância), na qual aspectos específicos e permanentes da personalidade eram identificados nos atletas com história de lesão. Esse tipo de pesquisa mostrou poucos achados significativos envolvendo a relação entre os traços psicológicos e a ocorrência de lesões atléticas. Com isso, o foco de pesquisa desviou-se para a exploração da relação entre estresse e lesão. Os estudos mostraram uma correlação positiva entre os eventos vitais estressantes, especialmente os associados com os altos níveis de estresse negativo, e a ocorrência de lesões e doenças. Anderson e Williams desenvolveram um modelo teórico que evidenciou os fatores capazes de contribuir para a relação estresse/lesão no ambiente esportivo.

          

                                                    Modelo de estresse e lesão atlética

 

Certos eventos, como ser designado capitão da equipe, ou ser convocado para a pré temporada de uma equipe de elite, ou receber um prêmio pelo desempenho, podem fazer aumentar as expectativas de desempenho do atleta, resultando em maiores níveis de estresse e tornando-o mais propenso a uma lesão.

Para explorar em maior profundidade a relação estresse/lesão, devem ser compreendidas as alterações fisiológicas e psicológicas em resposta ao estresse. Com relação às alterações fisiológicas, existe uma preocupação crescente quanto à tensão muscular produzida como resultado da resposta ao estresse. O aumento da tensão nos grupos musculares agonistas e antagonistas resulta em redução da flexibilidade e em perda da coordenação motora. Além disso, com o aumento da tensão muscular, ocorre uma diminuição no tempo de reação que reduz a capacidade de resposta do atleta aos eventos ambientais. Já em relação às alterações psicológicas, o estresse limita ou desvia o foco da atenção.. Um jogador de futebol sob estresse intenso, especialmente se esse estresse for negativo, pode estar pensando sobre os eventos causadores desse estresse ao invés de pensar naquilo que está ocorrendo naquele momento em que se encontra (jogo, treino,etc). O atleta deixa então de processar a informação relevante que poderia resultar em uma resposta protetora e diminuir as chances de lesão.

Com a ocorrência de qualquer tipo de emoção, seja depressão ou raiva, a capacidade de controlar a atenção e processar a informação correta será inibida, aumentando assim o potencial de lesão.

Para um atleta que retorna à competição após se recuperar de uma lesão, o foco de atenção e a tensão muscular podem atrapalhar. O medo ou a preocupação quanto a uma segunda lesão podem aumentar ainda mais a tensão muscular.

Á fadiga, assim como os fatores fisiológicos e psicológicos, também podem influenciar na ocorrência de lesões. Normalmente a fadiga é reconhecida como um contribuinte para o surgimento de lesões apenas como um fator físico, mas a fadiga mental pode ser ainda mais importante. Para manter um alto grau de concentração será necessária uma grande quantidade de energia, e, em combinação com um programa de treinamento exaustivo, a atenção será reduzida à medida que se instala a fadiga, física e mental. Uma atenção reduzida resulta em tempos de resposta mais lentos, e isso, juntamente com a perda de coordenação neuromuscular, faz aumentar o potencial de lesão.

ronaldo

Apesar de serem atendidas as necessidades físicas do atleta lesionado, outras necessidades proeminentes são com frequência ignoradas. Se o atleta sofreu uma lesão, seus pensamentos e sentimentos recebem pouca prioridade, isso quando não são negligenciados. Sendo que esses sentimentos podem produzir uma dor psicológica maior e perdurar por mais tempo que a dor física. Após a regressão da dor física inicial da lesão, o atleta enfrenta uma série de reações psicológicas, como por exemplo se perguntar: “por que eu?”, “por que agora?”, etc. Outras emoções como raiva, depressão, ansiedade e pânico são respostas comuns também nessas situações.

Portanto a disponibilidade de um vigoroso sisitema de apoio social é primordial para ministrar os serviços médicos a um atleta em fase de recuperação. Os que fazem parte do sistema de apoio, que deve incluir o treinador, o fisioterapeuta, o médico e um psicólogo, desempenham  entaão um papel extremamente importante no sentido de compreender e orientar o atleta através desses momentos emocionais durante a recuperação. Por isso a importância de uma equipe multidisciplinar em clubes, escolas e centros de treinamento, para ajudar atletas na prevenção, ou em casos de lesão, na reabilitação completa do atleta.

                                                                                                                     Ft. Ana Carolina Villa-Lobos

Referências:

Reabilitação Física das Lesões Desportivas – Andrews.

Fotos:

UolEsportes

Sobre o autor Ana Carolina Villa-Lobos

Ana Carolina Villa-Lobos escreveu 12 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pelo UniCeub em Brasília, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Supervisora do ambulatório de coluna do CETE. Trabalha com Fisioterapia Esportiva, Terapia Manual e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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