Esporte é saúde ou não?

Costuma-se ter os atletas como modelos de saúde e bem estar físico, porém quem participa diariamente do ambiente esportivo e, principalmente, está dentro de um departamento médico, pode não pensar da mesma forma. É preciso definir corretamente duas coisas: praticar ESPORTE é diferente de praticar ATIVIDADE FÍSICA. Quando se fala em esporte, o dicionário da língua portuguesa é bem claro:

Conjunto de exercícios físicos que se apresentam sob a forma de jogos individuais ou coletivos, cuja prática obedece a certas regras precisas.

Ao falar em jogo devemos pensar que existe a uma competição. O esporte de alto rendimento (profissional) está longe de ser considerado saudável. A busca sempre pelo máximo de cada atleta envolve alguns mundos distintos: o próprio atleta (realização pessoal), dirigentes e patrocinadores (interesses econômicos) e a medicina esportiva voltada a melhora da performance (desenvolvimento científico). O corpo humano não é uma  máquina, porém também há um limite de trabalho tolerado. Se compararmos o que se estuda em relação a melhora de rendimento versus prevenção de lesões vamos ver que a discrepância é imensa.

Neste cenário descontrolado, recoberto por interesses dos mais variados, a fisioterapia esportiva vem se desenvolvendo, e como nunca. A presença de lesões constantes e a necessidade de devolver os atletas aos seus esportes faz com que o fisioterapeuta assuma uma papel de destaque neste meio. O que no passado era curado apenas com medicações, cirurgias e gelo, hoje se conta com um profissional de nível superior que dispões de um arsenal de técnicas e equipamentos ao dispor dos atletas.

Porém a atuação do fisioterapeuta do esporte deveria se concentrar muito mais no âmbito preventivo do que no reabilitador, mas esta ainda não é a realidade e poucos locais, no mundo, dispõem de fisioterapia preventiva. Dirigentes e mesmo atletas não se deram conta ainda disto. Como exemplo claro disto no Brasil, vemos que ao final de mais um ano de Campeonato Brasileiro, o campeonato mais disputado e desgastante fisicamente do mundo, teríamos muitos e muitos casos para discutir condutas. Há anos se discute o calendário de jogos no Brasil, mas pouco se faz para mudar isso, frente a enorme pressão que faz o interesse econômico.

Sobre isto, o canal SporTV dedicou um programa inteiro com o tema: “Estruturas e novos modelos dos clubes”. Fica a dica de um ótimo programa e a pergunta: esporte é saúde ou não?

Ft. Fernando Cassiolato

Referências:
Dicionário Aurélio
Fotos: Jamie Gibsy, Spallafisioterapia, Fifa The 11

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

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