Esporte competitivo e lesões na infância

É cada vez mais frequente encontrar crianças na prática esportiva competitiva. Isso deve-se principalmente ao interesse por parte das crianças e seus pais em buscar o desenvolvimento físico, psíquico e , por fim, a busca por talentos, resultando num recrutamento precoce das habilidades da criança.

A atividade física na infância, sem dúvidas, traz benefícios para o desenvolvimento do indivíduo. A iniciação no esporte deve ser dividida em três estágios:

–  Iniciação Esportiva: ocorre entre seis e nove anos. Nessa fase, o objetivo do treinamento é a aquisição de habilidades motoras e destrezas específicas e globais, realizadas através de formas básicas de movimentos e de jogos pré-esportivos. Nessa faixa etária, a criança encontra-se apta para a aprendizagem inicial dos esportes, contudo, ainda não está apta para o esporte coletivo de competição.

– Aperfeiçoamento Esportivo: Entre 10 e 11 anos de idade, a criança já experimenta e participa plenamente de ações baseadas na cooperação e colaboração. O objetivo dessa etapa é introduzir os elementos técnicos fundamentais, táticas gerais e regras através de jogos educativos. Essa é considerada uma excelente faixa etária para o aprendizado. Assim, as atividades esportivas a serem oferecidas nessa faixa etária devem ampliar o repertório de movimentos dos fundamentos básicos dos diversos esportes.

– Introdução ao Treinamento: a criança entre 12 e 13 anos alcança um significativo desenvolvimento da sua capacidade intelectual e física. Assim, o objetivo dessa fase é o aperfeiçoamento das técnicas individuais, dos sistemas táticos, além da aquisição das qualidades físicas necessárias para a prática do esporte. As atividades físicas esportivas a serem oferecidas para atender as necessidades dessa faixa etária devem visar ao aperfeiçoamento das qualidades físicas.

No entanto, a prática esportiva competitva precoce, com o objetivo de criar futuros campeões, certamente é nociva. O treinamento intensivo precoce se caracteriza por mais de seis horas de treinamento semanal ou mais de tres horas de treinamento diário. Desta maneira, a criança perde o interesse pela prática esportiva como lazer, e passa a enxergar aquela a como uma obrigação que faz parte de sua rotina. Em treinamentos como este, não são levados em conta as particularidades próprias, orgânicas, suas fases de desenvolvimento e a psicologia da criança. Além de danos físicos e psíquicos, o exagero no treinamento pode levar ao que os especialistas chamam de Síndrome de Saturação Esportiva, caracterizada por certa apatia e até aversão pelo esporte. São aquelas crianças que despontam como futuros campeões, mas que desistem das competições por exclusiva má orientação escolar, técnica, médica ou familiar.

Incentivar a prática esportiva saudável para a criança é papel dos pais e obrigação dos profissionais da Saúde. No entanto, uma vez que a criança já está inserida num meio de treinamento com objetivos competitivos e de alto rendimento, ela está sujeita a lesões, como citado anteriormente. As lesões músculo-esqueléticas mais comuns nessa faixa etária são as epifisites ou osteocondrites, que ocorrem por uma sobrecarga muscular que traciona a região de iserção óssea. Quando isso acontece na região da epífise (placa cartilaginosa que define o crescimento ósseo através de sua mineralização), pode haver o descolamento da mesma, alterações de consolidação e crescimento ósseo. O tratamento dessa patologia se dá principalmente pela pausa ou diminuição dos esforços físicos, além de reforço muscular visando dissipação de cargas e alongamento para diminuir a tração local durante a atividade. As osteocondrites mais comuns são: Osgood-Schlatter (inserção do tendão patelar tuberosidade tibial – figura), Sever (inserção do tendão calcâneo no calcâneo), Legg-Perthes (cabeça femoral), Scheuermann (coluna vertebral) e Panner (capítulo do rádio).

Lesões músculo-esqueléticas tem caráter peculiar no público infantil, devido a fase de maturação imcompleta de ossos, cartilagens, músculos e ligamentos. Assim, o tratamento é incondicionalmente  feito de maneira individualizada, respeitando as características da criança. A grande polêmica envolvida na questão é o uso de técnicas de fortalecimento, hipertrofia ou resistência muscular. Não há um consenso fechado sobre este tipo de discussão, mas o que se tem por certeza é que nenhuma dessas técnicas seria de melhor resultado do que o treino de habilidades motoras e conscientização muscular para a criança, pois uma vez em que esta incia o treinamento esportivo especializado de maneira precoce, o desenvolvimento e treinamento de determinadas aptidões podem ser deixadas de lado por não serem inetressantes na prática de uma modalidade esportiva em específico.

Dentro deste contexto, portanto, faz-se necessário o treino preventivo de lesões também para crianças. No entanto, é válido lembrar que as crianças envolvidas no âmbito esportivo competitivo já tem uma carga pesada de obrigatoriedades em relação ao treinamento, devendo o tratamento e a prevenção serem feitos de modo descontraído e lúdico, sem deixar de ressaltar a importância da ação da Fisioterapia para os pequenos atletas!

 

Ft. Thaís Bortolini Bueno

 

Referências: When to initiate integrative neuromuscular training to reduce sports-related injuries and enhance health in youth? e Iniciação esportiva e especialização precoce nos esportes coletivos

Fotos: Saúde e Qualidade de Vida e HumanaSúde

Sobre o autor spallafisioterapia

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