Dor femoropatelar

femoropatelar

A dor femoropatelar (DFP) é uma das condições dos membros inferiores mais comuns observados na prática ortopédica. A DFP é particularmente prevalente em pessoas mais jovens, que são fisicamente ativas. Aproximadamente 2,5 milhões de corredores/ano serão diagnosticados com DFP.

A patela é o maior osso sesamóide no corpo humano, e como outros ossos sesamóides, provavelmente evoluiu como um mecanismo para proteger o tendão quadríceps de abrasão e melhorar a distribuição de forças através do tendão. Além disso, a patela atua para melhorar o efeito de alavanca biomecânica dos quadríceps.

A patela contém a camada mais espessa de cartilagem do corpo, cerca de 5 mm. Possui 4 facetas: superior, lateral, medial e a terceira faceta (odd). Normalmente, a terceira faceta é a primeira a ser afetada na condromalácia ou síndrome femoropatelar. No movimento de flexão para extensão, diferentes partes da patela se articula com os côndilos femorais. A terceira faceta entre em contato com os côndilos a partir da flexão de 135°. Wiberg descreveu três tipos básicos, e Baumgartl (8) acrescentou outras formas, segundo uma classificação morfológica.

BIOMECÂNICA

Forças de contato femoropatelar

femoropatelarA principal função biomecânica da patela é ampliar o comprimento do momento do braço do joelho. O torque da extensão do joelho é o produto da força quadríceps multiplicado pelo comprimento do momento do braço. A patela desloca o tendão quadríceps anteriormente, aumentando o comprimento do braço de momento, e aumentando assim o torque. Este entendimento é de grande ajuda no planejamento de reabilitação adequada para lesões na patela ou quadríceps tendões.

A localização das forças de contato na patela também varia dependendo do ângulo de flexão do joelho. Devido à inclinação da patela, bem como o deslocamento do momento do braço, a patela distal é sobrecarregada mais em menores grau de flexão do joelho, e a patela proximal é sobrecarregada mais em maiores graus de flexão do joelho. Devido às mudanças de braços de alavanca, a força do quadríceps e a força tendão patelar também variam de acordo com ângulo de flexão do joelho, com maior força de quadríceps ocorrendo em ângulos maiores de flexão.

A força de compressão femoropatelar é o resultado da compressão da patela no sulco da tróclea resultante de uma combinação de forças e quadríceps tendão patelar. Embora as forças de contato patelofemoral aumentar com a flexão do joelho, a área de contato total também aumenta com a flexão do joelho. Isso distribui as forças mais de uma área de contato maior, resultando em um aumento menor na pressão de contato.

O tracking patelar é outro fator importante para o entendimento da biomecânica da articulação femoropatelar. O tracking patelar dependente de uma infinidade de fatores anatômicos. Fatores estáticos incluem anatomia óssea e estruturas ligamentares; e fatores dinâmicos como a atividade muscular. A forma e profundidade da tróclea, a forma da patela, anteversão femoral, sendo a rotação da tíbia, juntamente com o alinhamento, contribuem para a estabilidade da articulação.

REABILITAÇÃO

Não existe um protocolo de reabilitação, sendo necessária uma avaliação criteriosa do paciente para identificar fatores relacionados a ocorrência da patologia. Os principais fatores a serem observados no paciente podem ser divididos em 3 categorias:

  1. Local: mecanismos da articulação femoropatelar e lesões tecidos ao redor
  2. Distal: mecanismos tornozelo e pé
  3. Proximal: quadril, pelve a tronco

Powers et al 2012, observou os seguintes fatos importantes para o melhor tratamento de pacientes com DFP:

  • Estresse femoropatelar elevado parece ser uma importante variável biomecânica associada a DFP
  • Há evidências que sugerem que na descarga de peso, o mal alinhamento femoropatelar e/ou o mal tracking podem ser o resultado da rotação interna do fêmur em oposição a inclinação lateral/deslocamento da patela.
  • As forças laterais que atuam sobre a patela são em grande parte influenciado por movimentos anormais da extremidade inferior.
  • Em comparação com pronação do pé anormal, a cinemática do quadril alterada (por exemplo adução e rotação interna excessiva) parecem ter a maior influência sobre a dinâmica do ângulo Q.
  • Indivíduos com DFP podem se beneficiar de intervenções que visam melhorar o desempenho muscular do quadril.

Ft. Gabriela Borin

Referências:

1. Powers et al. J Orthop Sports Phys Ther 2012
2. Practical Orthopaedics Sports Medicine Arthrocopy

Fotos: Askdoctor, Kneease

Sobre o autor Gabriela Borin

Gabriela Borin escreveu 18 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela USP, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Mestranda em Ciências pela FM/USP. Estuda Fisioterapia Esportiva e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

Queremos seu comentário...