Dicas de Atendimento N°1 Disfunção Femoropatelar

A disfunção femoropatelar (DFP) ou síndrome patelo-femoral acomete atletas de diversas modalidades e idades, porém existe uma incidência maior em mulheres. Esporte nos quais há movimentos bruscos de desaceleração, como Ginástica Olímpica, algumas modalidades de atletismo, futebol, e outras onde o movimento excêntrico do quadríceps é muito solicitado, como o Judô e Tênis, predispõem ao aparecimento da famosa “dor anterior no joelho”.

O ponto central da DFP é um aumento excessivo da pressão que a superfície cartilaginosa da patela exerce sobre a cartilagem do fêmur, levando ao longo do tempo a desgaste das cartilagens e início dos sintomas. Este aumento de pressão está relacionado, na maioria das vezes, ao movimento alterado de deslizamento da patela (chamado tracking patelar), levando algumas zonas de contato a sofrerem maior pressão. Tudo isto se deve basicamente a dois fatores: desequilíbrio muscular ou biomecânica óssea desfavorável.

Muito se pesquisa sobre o papel dos músculos que estabilizam a patela, como fortalecimento do quadríceps (principalmente vasto medial oblíquo) e alongamento do trato iliotibial, porém não há um consenso de como realizar estes procedimentos com eficácia. O uso de bandagem para correção do tracking patelar é uma medida paliativa eficaz para um momento de competição, por exemplo, mas não um tratamento. Fisioterapeutas que trabalham na linha de cadeias musculares levantam a hipótese de que um problema em uma articulação pode ter sua causa em outra. Pensando nisto é conveniente sempre analisar outras articulações além da em questão. Poucas pessoas consideram o papel dos músculos rotadores de quadril na estabilização do membro e, menos ainda, realizam algum tipo de procedimento para estes. A idéia que para se ter um membro inferior estável é necessário um quadril estável é pouco aplicada na prática clínica.

Um grupo de pesquisadores das universidades brasileiras UNINOVE e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (São Paulo – SP) receberam no dia 12 de fevereiro deste ano, nos Estados Unidos, o prêmio “2010 JOSPT Excellence in Research Award”, que contempla anualmente o melhor trabalho divulgado na publicação Journal of Orthopaedic & Sports Physcical Therapy (JOSPT), uma das mais conceituadas revistas de Ortopedia e Fisioterapia Esportiva no mundo.

O estudo descreve o efeito de exercícios de fortalecimento muscular em mulheres sedentárias com dor no joelho. “Acreditava-se que como a dor era na região anterior ao joelho, devia-se tratar os músculos próximos dessa articulação, mas recentemente os estudos mostraram que essas mulheres, além de dor no joelho, tinham os músculos do quadril fracos. Ao final, concluímos que os dois tratamentos foram eficazes para a dor no joelho, porém o grupo que fez exercícios para o quadril e o joelho obteve resultados mais promissores em relação a alguns testes de avaliação clínica”, comenta o Prof. Dr. Paulo Lucareli.

O prêmio recebido demonstra, sobretudo, a capacidade do pesquisador brasileiro que, mesmo dispondo de recursos escassos e da falta de incentivo por parte das agências financiadoras e governo, possui uma criatividade e habilidade científica que não os deixa atrás de outros. A grande contribuição deste trabalho reside no fato de sua aplicabilidade ser total, já que para executar a proposta não é necessário qualquer equipamento custoso ou espaço adaptado. Parabéns aos pesquisadores.

FICA A DICA: considere o fortalecimento de rotadores de quadril em pacientes/atletas com DFP. Ajuste o pacientes para melhor posição (deitado ou sentado).

Ft. Fernando Cassiolato

Leitura complementar recomendada: Fukuda TY et al: J Orthop Sports Phys Ther. 2010 Nov;40(11):736-42.

Fotos: Steveshealthanswers, Tood Buck, Athleticquickness

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3 Replies to “Dicas de Atendimento N°1 Disfunção Femoropatelar”

  1. Boa Fernando!!!

    Aqui em Ribeirão na nossa clínica já estamos realizando fortalecimento de rotadores externos de quadril, inclusive também estamos adicionando o SLR para ativação das fibras posteriores de glúteo médio, que também se mostrou imortante para a estabilização pélvica nas atividades dinâmicas!

    Grande abraço!
    (gambá)

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