Daniel Dias, o maior atleta paralímpico da história brasileira!

 

 

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Nesta sexta-feira (7), com a vitória nos 50 m borboleta (classe S5) e no sábado (8) com a vitória nos 100m (classe S5), o nadador Daniel Dias encerra sua fantástica participação nos jogos paralímpicos de Londres. Agora com seis ouros em seis provas individuais, o nadador volta ao Brasil como maior atleta paralímpico da história do país. Consagração de quem riscou ainda na infância uma palavra do dicionário: limitação.

Daniel Dias sofre de má fromação congênita dos membros, mas isso nunca foi um obstáculo para a prática esportiva. Em 2004, ao ver Clodoaldo Silva brilhar em Atenas, Daniel resolveu iniciar sua carreira como atleta paralímpico. Hoje, com duas paraolimpíadas Daniel Dias soma 15 medalhas, sendo 10 de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Isso sem contar outras medalhas e títulos conquistados ao longo desses anos.

Para cada modalidade do esporte paraolímpico existe uma diferença entre os atletas devido às especificidades motoras relacionadas ao tipo de deficiência que
cada um possui. Atualmente, a classificação funcional é parte integrante de qualquer competição de natação para deficientes físicos. Conhecida inicialmente como
classificação médica e caracterizada por separar os atletas pelo tipo de patologia, hoje, consiste em classificar os atletas em função da sua capacidade de realizar movimentos e verificar o quanto a deficiência limita a performance do atleta. A classificação funcional precisa ser específica para cada esporte, já que uma deficiência pode ter grande impacto na performance do atleta em um esporte, mas não fazer muita diferença para outro.

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Existem classificações diferentes para cada modalidade. Esse diagnóstico completo é realizado por 3 tipos de profissionais: médico, fisioterapeuta e um professor de educação Física. Fisioterapeutas e profissionais de educação física realizam testes específicos para evidenciar a potencialidade dos resíduos musculares de seqüelas de algum tipo de doença. Tendo por base os diferentes tipos e graus de deficiência, permite-se um nivelamento dos participantes e tenta colocá-los em condições de igualdade para competir.

Avaliação Médica – consiste em um exame físico onde se diagnostica a patologia do atleta e até que ponto o atleta fica limitado, com sua função muscular afetada para determinado movimento (realizada pelo médico).

Avaliação Funcional – consiste na realização de testes de força muscular, amplitude de movimento articular, medição de membros, coordenação motora; assim há a certeza do percentual muscular que é utilizado para a performance na prova (realizada pelo fisioterapeuta).

Avaliação Técnica – consiste na demonstração da prova realizada utilizando as adaptações necessárias. São observados os grupos musculares na realização do movimento, técnica utilizada, prótese e ortese utilizada (realizada pelo educador físico e com participação do fisioterapeuta).

Cada atleta recebe uma classificação com dois dígitos: o primeiro indica a natureza do comprometimento do atleta, enquanto o segundo mostra quão capacitado ele é. Quanto menor o número, maior é a limitação do atleta. Na frente desses números tem uma letra, que indica a modalidade esportiva. Provas de campo por exemplo são indicadas com um F – Field, provas de pista  com um T – Track e de natação com um S – Swim.

No caso da natação a classificação é a seguinte:

Limitação fisico-motora: S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10

Limitações Visuais: S11 S12 S13/ SB11 SB12 SB13 / SM11 SM12 SM13

Deficiência Mental: S14/ SB14/ SM14

Nosso nadador Daniel Dias competiu em sua maioria na classe S5, que significa lesão medular completa abaixo de T1-8  ou lesão medular incompleta abaixo de C8 ou pólio comparado, ou acondroplasia de até 130cm com problemas de propulsão ou paralisia cerebral de hemiplegia severa.

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Podemos ver como a fisioterapia é importante no desporto paralimpico, tanto na classificação do atleta antes da competição, como em sua preparação para a prática esportiva, prevenção de lesões e reabilitação.

Com certeza Daniel Dias possui um acompanhamento com uma excelente equipe multidisciplinar que o ajudou a conquistar todos esses ouros nesses Jogos Paraolímpicos de Londres 2012!

Parabéns Daniel!!

 

                                                                                                                                                                                                                       Ft. Ana Carolina Villa-Lobos

 

Fonte: CPB – Comitê Paralímpico Brasileiro

Imagens: Getty Images

                Buda Mendes

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3 Replies to “Daniel Dias, o maior atleta paralímpico da história brasileira!”

  1. bom estou começando a praticar a natação tenho um braço direito amputado encima do cotovelo qual classificação eu me encaixo para participar das provas?

    1. Olá Cassimiro, as informações do Comitê Paralímpico Internacional dizem que o atleta deve ser submetido à equipe de classificação, que procederá a análise de capacidades musculares por meio de testes de força muscular; mobilidade articular e testes motores (realizados dentro da água). Quanto maior a deficiência, menor o número da classe. As classes sempre começam com a letra S (swimming) e o atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM).
      S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físico-motoras.
      S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com deficiência visual (a classificação neste caso é a mesma do judô e futebol de cinco).
      S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência intelectual.

      Você precisa ser avaliado por uma equipe pré-competição para determinar a sua classificação. Bons treinos e sucesso!

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