Como tratar um pós operatório de lesão SLAP?

tipoia ombroNosso leitor, Miguel, enviou um comentário perguntando se existia algum protocolo para o tratamento de lesão SLAP do ombro. Na verdade não existe um protocolo estabelecido na literatura, mas sim alguns detalhes que ajudam a guiar o fisioterapeuta durante cada fase da reabilitação do paciente. Nessa matéria vamos passar um guia para ajudar no tratamento de um pós operatório de lesão SLAP. Mas é importante lembrar que se trata apenas de um guia e não de um protocolo a ser seguido ao pé da letra. Cada paciente responde de forma diferente ao tratamento pós operatório, pois cada organismo tem o seu tempo de cicatrização e resposta. Por isso, antes de evoluir no tratamento do paciente devemos fazer alguns testes e perguntas para ter certeza de que é possível progredir a fase do tratamento. Podemos dividir o tratamento de um pós operatório de lesão SLAP em três fases.

A primeira fase ocorre da primeira a sexta semana de pós operatório. Nessa fase é importante:

tratamento miofascial– Proteger a cirurgia – orientar o paciente ao uso da tipóia e em relação a certos movimentos que devem ser evitados na primeira semana pós cirúrgica;

– Realizar mobilizações escapulares para ajudar no ganho de amplitude de movimento e para ajudar a promover um relaxamento muscular;

– Controlar o edema e a dor – Para isso podemos realizar movimentos passivos e ativos de flexão e extensão de cotovelo, flexão de dedos com bolinha para estimular a circulação e drenar o edema. Já para a dor podemos fazer uso da eletroterapia e observar se o DSC_0223paciente apresenta dores por presença de pontos de tensão ou pontos gatilho em músculos cervicais e periescapulares. Nessa fase é importante promover o relaxamento desses grupos musculares, inclusive para minimizar os efeitos da imobilização com a tipóia;

– Evitar os movimentos de extensão e rotação lateral do ombro tanto em posição neutra e à 90 graus de abdução;

– Manter o trofismo de estruturas shoulderTreatmentmusculares adjacentes como cotovelo, punho, mão e dedos, com exercícios realizados com resistência manual de forma isométrica, evoluindo para uma contração isométrica com carga e por fim, para uma contração isotônica;

– Ganhar amplitude de movimento (ADM) para flexão, rotação medial e abdução do ombro sempre respeitando a tolerância do paciente. Para o ganho de ADM podemos iniciar com movimentos passivos e evoluir para movimentos ativo-assistidos com bastão ou na parede.

Para mudar de fase é necessário que o paciente apresente um mínimo de dor e edema, boa ADM (ativa e passiva), melhora do trofismo muscular e força muscular grau III.

A segunda fase de um pós operatório de lesão SLAP ocorre entre a sétima e décima quarta semana. Nessa fase devemos:

ombro– Iniciar o ganho de ADM em extensão e obter amplitude completa de flexão, rotação medial e abdução;

– Iniciar exercícios para condicionamento físico, principalmente em caso de atletas. A melhor opção seria o uso da bicicleta ergométrica, pois não há risco de queda como existe na esteira por exemplo. Mas também é possível iniciar um treino aeróbico na água, uma vez que o paciente tiver recuperado toda a amplitude de movimento do ombro;

– Fortalecer a musculatura de membros superiores e de cintura escapular de forma lenta e progressiva;

– Iniciar treino sensório motor com bola facilitação neuromuscular proprioceptiva, também conhecida como Kabat, Body Blade, bola na parede, etc.

– Para mudar de fase é necessário que o paciente esteja sem dor e sem edema, com ADM completa, boa flexibilidade e força muscular grau IV.

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A terceira fase começa a partir da décima quinta semana e nessa fase devemos:

– Ganhar força muscular evoluindo com os exercícios anteriores e aumentando a carga de acordo com a tolerância do paciente, além de dar ênfase aos exercícios excêntricos para os músculos do manguito rotador;

– Iniciar um trabalho de potência muscular com elásticos, bolas, etc;

– Evoluir com o treino proprioceptivo;

– Realizar um teste isocinético, se possível;

– Iniciar o retorno ao esporte, realizando exercícios de força, potência, propriocepção com o gesto esportivo do atleta;

Para dar alta para o paciente é importante que este esteja sem dor e sem edema, que apresente uma amplitude completa de movimento e indolor e força muscular com diferença máxima de 20% comparado ao membro contra lateral.

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Ft. Ana Carolina Villa-Lobos

Sobre o autor Ana Carolina Villa-Lobos

Ana Carolina Villa-Lobos escreveu 12 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pelo UniCeub em Brasília, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Supervisora do ambulatório de coluna do CETE. Trabalha com Fisioterapia Esportiva, Terapia Manual e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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