Blanka Vlasic fora das Olimpíadas 2012

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A croata Blanka Vlasic, campeã mundial do salto em altura, prata em Pequim e uma das promessas de ouro para seu país, anunciou as vésperas do início das Olimpíadas de Londres que não vai competir nos jogos. A atleta de 28 anos passou por cirurgia no Tornozelo no final de Abril/2012, mas infelizmente não consegui se recuperar e treinar forte para os jogos. Com o segundo melhor salto de todos os tempos (2,08m), ela era uma das favoritas a vencer a medalha de ouro olímpica.

“Eu vinha adiando essa decisão por conta de minha participação em Londres, mas o tempo está correndo e tempo é a única coisa que eu preciso agora”, disse Blanka em entrevista coletiva. Seus treinamentos e forma física vinham melhorando desde então, mas não o suficiente  para lhe dar chance de brigar pelo ouro em Londres. “Não estou interessada em saltar abaixo do meu nível habitual, portanto o melhor é ficar em casa e terminar o processo de recuperação.”

blanka1No final de Janeiro/2012, a saltadora croata passou por uma primeira cirurgia no tornozelo esquerdo. Foi feito um procedimento de limpeza da articulação (devido a desgaste de cartilagem) e constatada uma lesão de 10% no tendão calcâneo. Após o procedimento e a reabilitação a atleta voltou a treinar. Foram 5 semanas de treinamento progressivo, porém ela se queixava constantemente de dores no mesmo tornozelo esquerdo. Após uma reavaliação do caso, foi descoberto que um pequeno corpo livre em sua articulação (resto de osso ou cartilagem do processo de limpeza), o que gerou um granuloma, um aglomerado de células inflamatórias ao redor do corpo livre. Deste modo foi necessária esta nova cirurgia de Abril para reparar o problema.

A prática do Salto em Altura exige muito da articulação do tornozelo, principalmente de sua estabilidade. É considerado um esporte de potência e velocidade. A técnica mais usada hoje é o salto chamado Fosbury Flop e o primeiro momento crítico é quando o atleta começa a girar sobre o eixo articular do tornozelo a fim de que no salto seu corpo seja projetado de costas para a barra. Neste momento é necessário estabilidade total na articulação e consequentemente as forçar de cisalhamento são grandes, levando aos desgaste articular (cartilagem) ou torção dos ligamentos. O segundo ponto crítico é a fase de contração excêntrica (alguns milissegundos) que passa o tríceps sural da perna de impulsão. Se este não estiver bem condicionado podem surgir lesões musculares ou tendinopatias.

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Já descrevemos em outras publicações como procedemos na recuperação de cirurgias do tornozelo, em especial no tendão calcâneo. Esta cirurgia de limpeza articular tem tudo para ser simples, com reabilitação fácil e prognóstico ótimo. Porém as intercorrências acontecem e para o fisioterapeuta é muito difícil lidar com um problema como o apresentado. Este caso ilustra a extrema importância de se trabalhar em equipe e ter um relacionamento próximo ao médico. Não há técnica fisioterapêutica capaz de auxiliar Blanka neste caso, realmente era necessário um intervenção cirúrgica. Por mais que a fisioterapia esportiva trabalhe para encurtar o período de reabilitação, existem certos pontos sobre os quais não temos controle:

– pouco pode se fazer para acelera a reparação dos tecidos que foram perfurados na artroscopia (pele, subcutâneo e capsula articular);

– toda cirurgia demanda um repouso relativo, no caso de atletas devem reduzir ou cessar os treinos, o que leva ao destreinamento e perda de performance;

São por estes e alguns outros fatores que levaram a atleta a desistir dos jogos de Londres. Cabe a ela agora se recuperar, voltar a sua forma máxima e programar-se para as próximas competições.

Ft. Fernando Cassiolato

Fotos: Reuters

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

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