Biomecânica do Salto

biomecânica do saltoOs esportes envolvem diversos gestos esportivos, como arremesso, chute, corrida, salto, entre outros e o estudo da biomecânica destes movimentos é importante para os profissionais que trabalham com atletas. A biomecânica do salto, em particular, envolve diversas variáveis. Cada modalidade esportiva apresenta um padrão de salto, além da variações entre os próprios atletas.

A biomecânica do salto envolve o estudo das forças que atuam sobre o corpo durante a execução do movimento. O primeiro conceito a ser discutido é o centro de massa, que é o ponto ao redor do qual o peso de um corpo está igualmente equilibrado. Esse centro de massa se desloca no ar de acordo com as forças atuantes neste corpo. Pensando no corpo do atleta como um ponto projetado no ar, podemos imaginar a sua trajetória. Essa possui um componente vertical, que vai se relacionar a altura que o atleta consegue atingir, e o componente horizontal, que se relaciona a distância. As variáveis que influenciam na trajetória são as seguintes:

– Ângulo de projeção: determina o formato da trajetória (vertical, oblíqua e horizontal);
– Velocidade de projeção: determina o comprimento da trajetória;
– Altura relativa de projeção: diferença entre a altura a partir da qual o corpo é projetado e a aterrissagem.

biomecânica do saltoQuando a velocidade de projeção é constante, uma maior altura de projeção relativa equivale a um maior período de permanência no ar e um maior deslocamento horizontal. Na prática, este conceito é importante por exemplo para o atleta de salto em distância que precisa de uma maior deslocamento horizontal, atingindo maiores distâncias. Além disso devemos considerar o impulso. Ao executar um salto vertical, quanto maior for o impulso gerado contra o solo, maior será a velocidade de decolagem e mais alto será o salto resultante.

Na prática da aprendizagem do salto é importante que o atleta tenha o domínio de algumas habilidades: ação rítmica, extensão firme da perna de impulsão, boa conjunção de forças horizontais e verticais, inclinação definida do tronco a frente e oposição dos braços definida. Sendo assim, o salto pode ser dividido nas seguintes fases:

biomecânica do salto1. Abordagem/Chamada (approach);

2. Apoio (Plant);

3. Saída/Decolagem (Takeoff);

4. Vôo (Flight);

5. A ação de bater/arremessar (The hitting action);

6. Aterrissagem (landing);

7. Recuperação (recovery).

Ao transferir estes conceitos para a prática, observamos que o salto sofre variações de acordo com a especificidade do esporte e principalmente de características pessoais de cada atleta. Nem sempre observamos no atleta a biomecânica mais correta, porém são adaptações que lhe permitem uma melhor performance.

Em um mesmo esporte, porém praticado em diferentes superfícies, há diferenças na biomecânica do salto. Por exemplo, no vôlei de praia as amplitudes de movimento de membros inferiores são maiores que as observadas em quadra. A altura do salto também foi observada ser até 13% maior que no indoor.

biomecânica do saltoO handebol e o basquetebol também apresentam variações, deste a preparação do salto que envolve passadas diferentes, até a finalização. A biomecânica do salto no basquetebol pode variar se for realizado dos 3 metros ou com infiltração e no handebol pode ser observado também variações quando o atleta realiza o arremesso a partir dos 9 metros, 6 metros e ainda associados a giros.

No atletismo há uma variação de acordo com a prova que o atleta realiza, pois cada uma apresenta uma objetivo, como atingir uma maior distância ou maior altura, determinando uma biomecânica de salto com alguns componentes semelhantes porém com variações específicas. No salto em altura o atleta normalmente realiza uma curva em formado de ” J” realizando um salto com projeção para trás, associado a extensão de tronco. Já no salto com barreira o atleta deve realizar um salto vertical, para ultrapassar a barreira, sendo importante a posição da perna de ataque.

É importante que o fisioterapeuta do esporte conheça a biomecânica e o gesto esportivo realizado pelo atleta. Deste modo a intervenção poderá ser mais específica e direta.

Ft. Gabriela Borin

Referências:

  1. Biomecânica Básica – 5ª Ed. 2009 – Susan Hall . Ed Manole

Sobre o autor Gabriela Borin

Gabriela Borin escreveu 18 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduada pela USP, pós graduada em Fisioterapia Esportiva pelo CETE/EPM/UNIFESP e Mestranda em Ciências pela FM/USP. Estuda Fisioterapia Esportiva e Controle Postural. Atua na cidade de São Paulo.

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