Bandagens elásticas: esse tal de kinesio…

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Quem nunca se perguntou o que são aquelas fitas coloridas que alguns atletas estão usando? Para que servem?

O método das bandagens elástica, popularmente conhecido também como kinesio tape, não é tão novo assim. Na década de 70, o Dr. Kenzo Kase (quiroprata e acupunturista japonês), após anos de pesquisa com diversos materiais, desenvolveu um tipo de fita aderente com característica semelhantes a pele humana, a respeito de elasticidade e textura, em resposta as limitações que ele encontrava no tratamento de seus pacientes com o método tradicional de bandagens rígidas.

kinesioDurante as Olimpíadas de Pequim (2009) o método foi exposto ao mundo, pois diversos atletas olímpicos e paraolímpicos fizeram uso dessas bandagens kinesio. O time de ciclismo dos Serviços Postais dos EUA contaram com método para tratar suas lesões e se manterem em operação com máxima eficiência. Diversos clubes das NBA e NFL fazem uso das bandagens elásticas. Até Lance Armstrong, comenta em sua biografia: “algo melhor do que qualquer laser, atadura ou massageador elétrico” e “mas, no dia seguinte, a dor desapareceu – sumiu”. Embora essa popularidade repentina do método posso ser atribuída a exposição devido ao meio esportivo, a maioria dos usuários das bandagens elásticas não são atletas. Pessoas em todo o mundo estão sendo tratadas desta maneira pois o método oferece um tratamento contínuo, eficaz e que não interfere nas atividades rotineiras. No Brasil ainda é pouco difundido, porém seu crescimento é notável em diversos clubes de futebol, principalmente.

Talvez a característica mais marcante deste tipo de bandagem é o chamado efeito de “recuo” promovido pelas fibras elásticas da fita de kinesio, o qual somente ocorre no sentido longitudinal. Seria através deste efeito, que receptores subcutâneos são estimulados e produzindo algumas da respostas fisiológicas atribuídas ao métodos, como: alívio de dor, reprogramação neuromuscular, facilitação e inibição muscular.

kinesioO efeito de recuo também gera circunvoluções, ou rugas, na bandagem aplicada ao corpo (efeito que não deve ocorrer na correta aplicação da bandagem rígida). A este efeito é atribuído a possibilidade de auxiliar o corpo na drenagem e canalização de edemas. Já que bandagem está aderida a pele, o local em que ela é elevada abre espaço subcutâneo e a direção de aplicação da fita para locais de nódulos linfáticos direcionaria este processo de drenagem. Estas circunvoluções geram também aumento da circulação sanguínea local e diminuindo a pressão exercida pelos tecidos sobre os receptores periféricos, aliviando dores.

Existem alguns princípios que devem ser respeitados e entendidos por quem pretende fazer o uso da técnica de kinesio:

  • ANCORAGEM: necessário em todas as aplicações, sendo distal e proximal, com tamanho proporcional a tensão aplicada;
  • TENSÃO: a variação da tensão vai ditar o efeito terapêutico da aplicação (ex.: usa-se baixa tensão para alívio de dores);
  • ORIENTAÇÃO: aplicando sobre músculos é muito importante a orientação de aplicação, pensado em origem e inserção, pois os efeitos podem ser opostos.

Com estes princípios em mente podemos perceber o seguinte: não há como afirmar com certeza qual o efeito desejado de uma aplicação de bandagem elásticas vendo-a por uma foto ou pelo vídeo. Somente saberá com certeza descrever o efeito desejado quem a aplicou, pois esta saberá dizer qual a origem da aplicação e a tensão usada. Como muitas outras técnicas terapêuticas, as bandagens elásticas foram sendo interpretadas e aplicadas de diversas maneiras, gerando assim correntes diferentes de pensamento. Hoje existem várias instituições que ministram os cursos desta técnica. Cabe a quem deseja conhecer melhor a teoria e aprimorar a técnica a buscar um curso e instrutor que atenda às suas exigências. Avalie muito bem os prós e contras de cada curso antes de fazê-lo.

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Por fim, aproveitando boom do método, diversos fabricantes de fitas elásticas surgiram no mercado. A concorrência é saudável para os consumidores, no sentido que os preços tendem a cair. Porém é preciso conhecer as marcas e ficar atento ao custo benefício dos produtos. Dicas a serem observadas são: as fitas variam na capacidade de recuo (característica que influencia muito na resposta terapêutica), qualidade da cola e aderência na pele (dita a duração da bandagem e resistência da aplicação) e tensão pré-fabricada do rolo (algumas marcas já disponibilizam a fita pré-tensionada).

AOS NOSSOS LEITORES: postem comentários sobre o uso da técnica de kinesio e as respostas terapêuticas, qualidade dos cursos oferecidos, eficiência das marcas disponíveis no mercado, dúvidas etc. Vamos ajudar quem está entrando no meio das bandagens (promissoras) elásticas e melhorar a nossa prática.

Ft. Fernando Cassiolato

Referência: KT Workbook, Kinesio Taping Association International
Fotos: KTA, Ses Injury Center

Sobre o autor Fernando Cassiolato

Fernando Cassiolato escreveu 31 matérias nesse site.

Fisioterapeuta graduado pela USP, pós-graduado em Fisioterapia Esportiva pela CETE-UNIFESP e Acupuntura pelo IPES. Estuda Fisioterapia Esportiva Preventiva e atua na cidade de São José do Rio Preto.

7 Replies to “Bandagens elásticas: esse tal de kinesio…”

  1. Muito boa a postagem. Deu pra dar um pincelada nas maiores duvidas dos usuários. Sou fisioterapeuta e utilizo o método. Indicarei esse texto para amigos e pacientes.

  2. Boa Tarde
    Fernando, gostei muito de sua postagem, sou estudante do curso de fisioterapia, estou indo para o VIII semestre e o meu pré-projeto foi sobre a eficácia do kinesio taping no linfedema de mmii em mulheres de 20 a 40 anos, se vc tiver artigos que possa enriquecer meu projeto ficaria muito grata.
    Cássia Macêdo.

    1. Olá Cássia, obrigado pelo comentário. Já repassamos seu contato ao nosso fisioterapeuta, Fernando Cassiolato, que entrará em contato com você através de seu e-mail. Boa sorte em seu projeto.

      Saudações
      Equipe Spalla Fisioterapia

  3. Olá,
    Gostaria de parabenizar por mais esse post, que assim como todos anteriores estão muito bons !!!
    Sou fisio do rj e descobri esse site e venho acompanhando sempre as dicas!
    Uso muito a bandagem com meus paciente e meus atletas , e ate hj sempre tive execelentes resultados clinicos e muitas satisfações pessoais por parte dos atletas. Como dito no post anterior ainda é preciso validar cientificamente para que possamos sair do achismo. Fiz um trabalho muito bom com Kinesio em atletas de futebol e tive bons resultados, no campo (website) irei colocar o link do artigo para voces lerem!!! Muito obrigado . Um abraço a todos da EQUIPE SPALLA.

  4. Fernando, gostei muito do artigo! Será que bandagem elástica poderia ser usada como preventivo para quem faz trabalhos que possam gerar tendinite?

    Outra, aquela dureza no pescoço e trapézio, de tensão e stress, poderia ser aliviada com bandagem?
    Muito obrigado! Grande abraço!

    1. Olá Vitor! Obrigado pelo comentário.
      Como muitas das técnicas usadas pelos fisioterapeutas, a falta de comprovações científicas é um impasse para lhe afirmar com certeza e respaldo que o método funciona. Porém, as respostas clínicas têm sido muito boas com o uso das bandagens elásticas. É plausível que as fitas de Kinesio possam prevenir incidência de LER e DORT em trabalhadores, porém eu não indicaria tal método preventivo, pois você pode condicionar as pessoas a só trabalharem com aquilo (dependência mais psíquica do que física). Pense como se fosse um medicamento, não é bom tomá-lo por muito tempo pois a resposta a longo prazo pode ser dependência ou perda da eficácia. Sempre procuramos usar o kinesio para tratamento e “libertar” o paciente dele assim que possível, já que a resposta no alívio de dores é imediata a aplicação e, posteriormente, a melhora da função, eles tendem a querer as aplicações sempre. Principalmente atletas!
      Existem métodos de aplicação do kinesio específicios para condições como torcicolos ou espasmos musculares (a dureza no pescoço que você menciona). Uma dica de aplicação seria: inibir a musculatura tencionada (aplicando a fita da inserção para origem, posicionando o músculo em alongamento máximo tolerado durante a aplicação, com tensão de 10%). Além disso, as rugas formadas facilitam a circulação de sangue no local, o que auxilia muito no relaxamento.

      Saudações
      Equipe Spalla Fisioterapia

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